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Ronco e o risco de Acidente Vascular Cerebral: existe alguma relação?

Num pequeno artigo recém-publicado na revista Laryngoscope, pesquisadores canadenses fazem uma pergunta: Os pacientes que roncam devem fazer um exame para investigar obstrução das suas carótidas?

A pergunta é baseada na análise da literatura científica crescente em torno dos distúrbios respiratórios do sono (como o ronco) e seus riscos vasculares. Um estudo de 2014 publicado na mesma revista já tinha encontrado uma maior obstrução (causada por espessamento da camada interna das artérias carótidas) nos pacientes que roncam, mesmo naqueles que não têm a doença da apneia do sono. Esses dados se juntam a outras pesquisas com o mesmo achado.

Num outro estudo muito interessante realizado em coelhos, os autores descobriram que a vibração no nível do pescoço é capaz de desencadear uma disfunção no endotélio das artérias carótidas, sugerindo que esse pode ser o mecanismo causador da estenose desses vasos nos pacientes que roncam.

 

Obstrução das Carótidas e o Acidente Vascular Cerebral

Há muito a obstrução das carótidas é reconhecida como um fator de risco bem estabelecido para acidentes vasculares cerebrais e também está relacionada ao risco aumentado de infarto agudo do miocárdio. Mesmo na ausência de outros fatores de risco, como história familiar, hipertensão arterial ou tabagismo, a obstrução parcial das carótidas está relacionado a um risco aumentado de AVC.

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Unindo esses pontos, parece bastante razoável a preocupação dos autores sobre a saúde vascular dos pacientes que aparecem em nossos consultórios com queixa de ronco. A resposta a pergunta proposta no título do artigo não poderia ser outra.

Os autores concluem que os dados científicos disponíveis já são suficientes para se recomendar a investigação de obstruções carotídeas nos indivíduos que ronco importante, mesmo nos que não têm a doença da apneia do sono.

Descobrindo o Ronco e a Obstrução das Carótidas

Captura de tela do aplicativo SnoreLab

Muitas pessoas não sabem que roncam. Para os que dormem acompanhados, quase sempre o ronco pode ser percebido pela pessoa que está perto. Casos mais sérios e de ronco muito alto, não é raro que o ronco seja ouvido de outros cômodos da casa.

Me lembro de uma paciente que me contou que seu vizinho do apartamento de baixo frequentemente batia no teto do seu quarto durante a madrugada incomodado com o seu ronco!

Já para aqueles que moram ou dormem sozinhos – e roncam num volume mais baixo – nem sempre é fácil saber que estão roncando a noite. Para esses, uma dica prática é o uso de aplicativos que gravam e monitoram o ronco durante a noite. Alguns deles, como o SnoreLab (imagem) fornecem informações como tempo e gravidade do ronco.

Quanto às artérias carótidas, o exame realizado para investigar obstruções é o Doppler, uma espécie de ultrassom capaz de avaliar a espessura das paredes das artérias e o fluxo sanguíneo no seu interior. É um exame bastante solicitado por cardiologistas e neurologistas para avaliar o risco de eventos vasculares. O Doppler não usa radiação, não oferecendo nenhum risco aqueles que o realizam.

Se você ronca com frequência a noite, não deixe de relatar isso ao seu médico!

 

Fonte: Portal Otorrino

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Os diversos problemas de saúde relacionados a noites mal dormidas

O corpo humano emprega há milhares de anos um conjunto fixo de programações fisiológicas necessárias para o seu bom funcionamento. Uma das programações básicas é o adormecer quando a noite cai e o acordar quando o sol se levanta, período em que o indivíduo é restaurado para um novo dia.

Noites mal dormidas, contudo, causam um choque nessa programação natural e podem provocar uma série de problemas de saúde, que vão da depressão ao aumento de risco de acidente vascular cerebral (AVC).

“O sono é uma função fundamental para a nossa fisiologia – seria o equivalente ao alimento para o nosso cérebro”, explica Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que estuda a correlação entre distúrbios do sono e doenças cardiovasculares.

“É o momento de descanso para o sistema vascular, da faxina dos neurônios. O sono é a restauração da atividade neural adequada, importante para fixação da memória. Sabemos que dormir é fundamental. Mas estamos nos esquecendo disso”, alerta.

Dados do último Estudo Epidemiológico do Sono da Cidade de São Paulo mostram que um terço da população da capital paulista sofre de insônia. Um novo estudo – Episono -, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Instituto do Sono, será conduzido em 2018 para atualizar os dados.

Mulher no celular

Um dos fatores externos que atrapalham a qualidade do sono é o uso de celular antes de dormir (GETTY IMAGES)

De acordo com Gabriel Natan Pires, biomédico e coordenador do Projeto Episono, o padrão do sono vem se modificando ao longo das últimas décadas – e para pior.

“Dados americanos mostram que, ao cabo de seis décadas, o tempo médio de sono foi reduzido em duas horas por noite. Mas privação do sono pode gerar sérios problemas, incluindo deficit de atenção, ansiedade, impulsividade e agressividade”, explica.

 

Os vilões que atrapalham o sono

Dormir menos que o necessário, assim como dormir em horários irregulares ou trocar o dia pela noite, pode desencadear uma série de doenças. A recomendação mais recente da National Sleep Foundation (NSF), dos Estados Unidos, divulgada em 2015, é de sete a nove horas de sono para pessoas de 18 a 64 anos.

De acordo com Lorenzi Filho, noites mal dormidas e irregulares não apenas geram mais cansaço e sonolência no dia seguinte. “Quem dorme menos de cinco horas, em média, tem mais problemas de hipertensão, maior risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC)”, diz a fundação.

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A falta de uma rotina, com hora de dormir e de acordar todos os dias, inclusive aos finais de semana, é um dos principais vilões de noites bem dormidas. A ingestão de alimentos pesados poucas horas antes de dormir, assim como a de bebidas estimulantes, como o café, podem dificultar o adormecer e impactar a qualidade do sono durante a noite.

“A alimentação tanto proteica quanto cheia de carboidratos não é desejável porque demanda um processo digestivo longo e penoso. O recomendado é que qualquer um dos grupos seja consumido pelo menos duas horas antes de dormir. Idealmente, quatro horas antes, se possível”, diz Daniel de Souza e Silva, pesquisador em neurofisiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

“Em alguns casos, é recomendado não ingerir café depois das 14h.”

Tabela

 

Hábitos como manter televisores no quarto, checar o celular antes de dormir e até mesmo manter o ar-condicionado em temperaturas muito baixas podem prejudicar a qualidade do sono, diz Souza e Silva.

“É preciso convencer a população de que a cama foi feita para dormir. Existe uma associação entre esses hábitos e a dificuldade de adormecer”, afirma.

 

Distúrbios do sono

Noites mal dormidas também podem ser afetadas por diferentes distúrbios. Entre as principais patologias, está a apneia obstrutiva do sono. Sua manifestação mais marcante é o ronco.

Esse distúrbio gera pequenas paradas respiratórias durante a noite, que provocam situações de “microacordar” e resultam em um sono fragmentado. De acordo com Pires, podem ocorrer até 30 pequenas paradas respiratórias por hora em pessoas que sofrem do problema.

Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Sono, feita com base em um estudo da Unifesp e do Instituto do Sono de 2010, projetou que 32,8% da população brasileira sofria com a síndrome em 2013. O distúrbio piora com a obesidade, a idade avançada e o sedentarismo.

Ilustração sobre sono

 

“A apneia obstrutiva do sono tem influência sobre os sistemas cardiovascular, neurológico e imunológico e acaba repercutindo não só na qualidade de vida, mas na longevidade do indivíduo”, afirma Souza e Silva.

“Os indivíduos com essa patologia têm repercussões cardiológicas muito sérias, além de perda de performance no dia seguinte, como dificuldade de concentração, alteração de memória, cansaço e dor de cabeça.”

Outro distúrbio importante é a insônia. Pessoas que tentam, mas não conseguem dormir, podem desenvolver quadros depressivos, problemas de memória e fadiga crônica.

De acordo com Pires, do Projeto Episono, há três padrões de insônia: aquele em que o indivíduo tem dificuldade em iniciar o sono; aquele em que há problemas em manter o sono, quando a pessoa acorda no meio da noite e tem dificuldade para voltar a dormir; e a insônia do despertar precoce – quando a pessoa acorda muito cedo e não consegue pegar no sono novamente.

Porém, dificuldades pontuais para dormir não são classificadas como insônia, explica o biomédico. “Para que haja diagnóstico clínico desse distúrbio, ele precisa ocorrer pelo menos três vezes por semana, ao menos por três meses seguidos. Dificuldades para dormir por uma noite não configuram um quadro clínico de insônia”, afirma.

 

Tratamento e soluções

Distúrbios do sono têm cura, afirmam especialistas. No caso da insônia, Souza e Silva alerta para a importância de diagnosticar se ela é causada por questões neurológicas ou por fatores externos. Medicações, como os antidepressivos, podem alterar a arquitetura do sono e resultar em noites mal dormidas.

Predio com luz acesa

Cuidar do sono é uma questão de saúde pública, segundo especialista em distúrbios do sono (GETTY IMAGES)

“A dificuldade para dormir está relacionada a diversos fatores – dificilmente a pessoa tem uma insônia primária, que seja a doença em si. Às vezes a pessoa dorme mal por fatores externos, como um problema respiratório”, explica.

No caso dos que sofrem de apneia, os médicos recomendam evitar bebidas alcoólicas e sedativos, que relaxam a musculatura. Em alguns casos, é necessário utilizar próteses orais e, nos pacientes com um quadro mais grave, adotar uma máscara ligada a um compressor de ar – a CPAP, do inglês Continuous Positive Airway Pressure -, que previne a obstrução da garganta durante o sono.

Para os que não sofrem de distúrbios, é importante levar em consideração as horas recomendadas para cada faixa etária e buscar garantir uma noite tranquila de sono. Isso inclui evitar estímulos externos, como dispositivos eletrônicos antes da hora de dormir e seguir a rotina de acordar e se levantar no mesmo horário.

Souza e Filho lembra que, apesar de a rotina humana hoje ser pautada pela tecnologia, o corpo humano continua tendo uma estrutura fisiológica que segue processos estabelecidos há milhares de anos.

“Desde que surgiu a eletricidade, nossa programação natural foi sendo amplamente subvertida. Progressivamente, vem havendo uma redução expressiva nas horas de sono regular, o que desequilibra um sistema que estava em estabilidade havia muito tempo.”

Para ele, cuidar do sono é uma questão de saúde pública. “Em qualquer cidade grande você vê as pessoas dormindo no transporte público. É um indicador de forte privação do sono em grande parte da população,” afirma. “Cuidar dos distúrbios do sono e de comportamentos que alteram sua qualidade é reduzir gastos mais tarde com diversos cuidados de saúde.”

 

Fonte: BBC Saúde

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Dificuldade para dormir atinge 45% da população mundial

Quantas vezes você já bocejou hoje? Está se sentindo cansado? Se as respostas indicarem que as horas de sono não são prioridade na sua rotina, cuidado. Não dormir adequadamente causa sérios danos à saúde — de alteração do humor a doenças como hipertensão. Pensando nisso, especialistas alertam a população dos riscos da insônia e outros problemas relacionados.

Os distúrbios do sono já atingem cerca de 45% da população do planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde, o que configura uma epidemia.

Um dos transtornos mais comuns é a insônia, a dificuldade para iniciar e manter o sono. Outro problema recorrente é a apneia, pausas respiratórias durante a noite.

Para avaliar a qualidade do sono e diagnosticar se há distúrbio, indica-se o exame de polissonografia, que pode ser feito em casa ou no laboratório e monitora as variáveis do sono, como atividade cerebral, cardíaca, respiratória e a arquitetura do sono.

O indivíduo que dorme menos de seis horas por noite tem quatro vezes mais chance de morte. Não se pode abrir mão do sono. Essa conta vai ser paga um dia — alerta Andrea Bacelar, da Associação Brasileira do Sono.

 

 

Ansiedade e estresse causam insônia

Segundo a Associação Mundial de Medicina do Sono, três elementos são essenciais para a boa qualidade do sono: a duração, que deve ser suficiente para que se sinta descansado e alerta no dia seguinte; a continuidade: o período de sono não deve ter interrupções; e a profundidade: deve ser profundo para ser restaurador.

Muitos aspectos podem levar a um quadro de insônia, como problemas emocionais, ansiedade e estresse. Além desses, os estímulos externos, como barulho ou temperatura inadequada, prejudicam a qualidade do sono.

O otorrinolaringologista Edilson Zancanella, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, lembra que o uso indiscriminado de medicação para insônia pode causar dependência. Muitas vezes, ele explica, essa medida não é necessária.

Depois, não se dorme com ou sem a medicação. Tem que entender o que está causando o problema, tentar mudar hábitos, como horário desregulado e consumo de cafeína — diz o médico.

Ele acrescenta que, se o uso for necessário, a orientação médica é indispensável.

 

 

Consequências

O sono de má qualidade pode causar irritabilidade, memória ruim, baixa imunidade, falta de reflexos e de atenção.

A longo e médio prazos, não priorizar o sono pode aumentar os riscos de hipertensão, diabetes, sobrepeso, enfarte e depressão.

 

Via O Globo

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O quanto a privação do sono afeta o seu desempenho profissional

A privação do sono impacta significativamente o rendimento profissional, inclusive de executivos. Uma noite mal dormida compromete a produtividade e diminui a disposição, nos deixando mais lentos com dificuldade de raciocínio.

Enquanto dormimos, o cérebro recupera as informações que perdeu durante o dia e as reorganiza e armazena em seu devido lugar. No período que a mente está em repouso, o cérebro edita a si mesmo. Guarda o que pode ser útil e também joga fora o que considera desnecessário, deixando o órgão pronto para encarar a próxima jornada. Quando isso não ocorro, algumas informações ficam desorganizadas e outras são perdidas, sem contar que a facilidade de assimilação diminui. É como um computador lento, cheio de arquivos inúteis.

De acordo com a pesquisa realizada, no ano passado, pela consultoria Mckinley, 66% dos 196 líderes de negócios entrevistados estão insatisfeitos com a quantidade de horas que dormem, enquanto 55% sofrem com a qualidade do sono. Porém, metade dos executivos não acha que seu desempenho está sendo afetado. Segundo a doutora Luciane Mello, especialista do sono, e responsável pelo Ambulatório do Ronco e Apneia e pelo Serviço de Polissonografia, ambos do Hospital Federal da Lagoa (RJ) o recomendado pela Academia Americana do Sono é que as pessoas tenham pelo menos sete horas de sono.

“O sono está ligado à capacidade de restaurar as diferentes partes do sistema nervoso central, com a conservação do metabolismo energético, a cognição, a maturação neural e a saúde mental”, explica. “Ele restaura a atenção e a facilidade do indivíduo de aprender novas tarefas quando acordado. Além disso, tem um papel fundamental na consolidação da memória”, completa a especialista.

63% dos entrevistados têm algum problema de sono, conforme pesquisa.

Atualmente, os brasileiros dormem em média 1h30min a menos do que há 20 anos, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto do Sono de São Paulo com 1.024 pessoas. São apenas 6 horas e 30 minutos por noite, bem menos do que os entrevistados desejariam dormir (em média, 8 horas e 10 minutos). E 63% têm algum problema de sono. “Muitos profissionais não percebem, mas acabam dedicando 18 horas do dia em atividades. Trabalham 12 horas, passam boa parte do tempo no trânsito e o que resta dedicam à família e aos exercícios. Isso significa que sobram  apenas seis horas de sono”, explica Luciane. É importante ressaltar que os efeitos de um sono curto e de má qualidade são muitos e incluem, por exemplo, o aumento dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, causando irritabilidade, ansiedade e maior risco de ganho de peso.

A doutora Luciane Mello é otorrinolaringologista graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista do Sono pela Sociedade Brasileira do Sono. Membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e da Academia Americana de Medicina do Sono, é médica responsável pelo Ambulatório do Ronco e Apneia e pelo Serviço de Polissonografia, ambos no Hospital Federal da Lagoa (RJ).

 

 

  • Recomendações:
  1. Deixe de utilizar aparelhos eletrônicos entre 30 e 60 minutos antes de dormir;
  2. Evite atividades estimulantes antes de dormir, como ver televisão ou acessar o computador;
  3. Crie um ambiente ideal, silencioso e escuro para dormir;
  4. O estresse e a ansiedade podem atrapalhar o sono, então procure técnicas que o acalmem, como a meditação;
  5. Tomar banho minutos antes de dormir ajuda a relaxar;
  6. Evite a prática de exercícios físicos à noite, pois, além de aumentar a temperatura corporal, estimula muito o indivíduo e prejudica o início do sono;
  7. Horários regulares de ir para a cama e acordar também são importantes.

 

Fonte: ABORL-CCF

 

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