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Ronco e o risco de Acidente Vascular Cerebral: existe alguma relação?

Num pequeno artigo recém-publicado na revista Laryngoscope, pesquisadores canadenses fazem uma pergunta: Os pacientes que roncam devem fazer um exame para investigar obstrução das suas carótidas?

A pergunta é baseada na análise da literatura científica crescente em torno dos distúrbios respiratórios do sono (como o ronco) e seus riscos vasculares. Um estudo de 2014 publicado na mesma revista já tinha encontrado uma maior obstrução (causada por espessamento da camada interna das artérias carótidas) nos pacientes que roncam, mesmo naqueles que não têm a doença da apneia do sono. Esses dados se juntam a outras pesquisas com o mesmo achado.

Num outro estudo muito interessante realizado em coelhos, os autores descobriram que a vibração no nível do pescoço é capaz de desencadear uma disfunção no endotélio das artérias carótidas, sugerindo que esse pode ser o mecanismo causador da estenose desses vasos nos pacientes que roncam.

 

Obstrução das Carótidas e o Acidente Vascular Cerebral

Há muito a obstrução das carótidas é reconhecida como um fator de risco bem estabelecido para acidentes vasculares cerebrais e também está relacionada ao risco aumentado de infarto agudo do miocárdio. Mesmo na ausência de outros fatores de risco, como história familiar, hipertensão arterial ou tabagismo, a obstrução parcial das carótidas está relacionado a um risco aumentado de AVC.

LEIA TAMBÉM: QUAIS AS CAUSAS DE PERDA AUDITIVA E COMO DESCOBRI-LAS?

Unindo esses pontos, parece bastante razoável a preocupação dos autores sobre a saúde vascular dos pacientes que aparecem em nossos consultórios com queixa de ronco. A resposta a pergunta proposta no título do artigo não poderia ser outra.

Os autores concluem que os dados científicos disponíveis já são suficientes para se recomendar a investigação de obstruções carotídeas nos indivíduos que ronco importante, mesmo nos que não têm a doença da apneia do sono.

Descobrindo o Ronco e a Obstrução das Carótidas

Captura de tela do aplicativo SnoreLab

Muitas pessoas não sabem que roncam. Para os que dormem acompanhados, quase sempre o ronco pode ser percebido pela pessoa que está perto. Casos mais sérios e de ronco muito alto, não é raro que o ronco seja ouvido de outros cômodos da casa.

Me lembro de uma paciente que me contou que seu vizinho do apartamento de baixo frequentemente batia no teto do seu quarto durante a madrugada incomodado com o seu ronco!

Já para aqueles que moram ou dormem sozinhos – e roncam num volume mais baixo – nem sempre é fácil saber que estão roncando a noite. Para esses, uma dica prática é o uso de aplicativos que gravam e monitoram o ronco durante a noite. Alguns deles, como o SnoreLab (imagem) fornecem informações como tempo e gravidade do ronco.

Quanto às artérias carótidas, o exame realizado para investigar obstruções é o Doppler, uma espécie de ultrassom capaz de avaliar a espessura das paredes das artérias e o fluxo sanguíneo no seu interior. É um exame bastante solicitado por cardiologistas e neurologistas para avaliar o risco de eventos vasculares. O Doppler não usa radiação, não oferecendo nenhum risco aqueles que o realizam.

Se você ronca com frequência a noite, não deixe de relatar isso ao seu médico!

 

Fonte: Portal Otorrino

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Quais as causas de Perda Auditiva e como descobri-las?

Descobrir a origem da sua perda auditiva é uma das maiores preocupações dos pacientes que nos procuram. Faz parte da natureza humana querer explicações, especialmente para os males da saúde. Pela lógica, descobrir a origem da queixa poderia nos abrir caminho para “consertar” o que está errado, recuperando a audição.

Esse raciocínio funciona muito bem nos casos de perda auditiva condutiva, quando há algo visível para ser reparado, como o fechamento de uma perfuração do tímpano. Já nos casos de surdez neurossensorial não estamos em condições de tratar de modo curativo a quase totalidade dos casos. Nesses, o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares é quase sempre indicado. Mesmo assim, descobrir a origem de um quadro de surdez pode fazer diferença no tratamento, bem como saber se a perda pode progredir no futuro.

Recentemente, os exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética) somados à descoberta de muitas mutações genéticas causadoras de surdez, aumentaram muito nossa capacidade de descobrir a causa das perdas auditivas neurossensoriais. Ainda assim, em cerca de metade dos pacientes submetidos à cirurgia do implante coclear na atualidade, não somos capazes de descobrir a causa.

 

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Quais são as Causas Possíveis das Perdas Auditivas?

Surdez Condutiva

A perdas de audição são classificadas em tipos (conforme a localização anatômica do dano causador) e em graus (de acordo com a gravidade, ou “tamanho”, da perda). Os quadros de surdez condutiva são causados por problemas na orelha externa ou média e podem ser causados por:

  • Acúmulo de cerumen
  • Otites externas e médias
  • Otosclerose
  • Tumores
  • Perfurações da membrana timpânica
  • Erosão e malformações dos ossículos da audição

     

     

Surdez Neurossensorial

Neste tipo de perda auditiva, o acometimento do aparato auditivo situa-se na orelha interna (cóclea) ou nervo auditivo. Dentre as causas possiveis estão:

  • Surdez genética
  • Tramatismos
  • Auto-imunes
  • Infecções virais
  • Meningites
  • Displasias
  • Presbiacusia (envelhecimento)
  • Exposição ao ruído
  • Ototoxicidade
  • Síndrome de Ménière
  • Tumores

As causas acima descritas representam a quase totalidade dos quadros de surdez existentes. Entretanto, muitas vezes os exames disponíveis não nos permite identificar a origem da perda. É importante que a equipe médica e os pacientes não transformem a busca origem da surdez na sua única preocupação, já que a reabilitação auditiva – com aparelhos auditivos ou implantes cocleares – deve começar o quanto antes, afim de se evitar as diversas consequências decorrentes da surdez não tratada.

 

Fonte: portalotorrino

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Como será o aparelho auditivo no futuro?

Há cerca de 10 anos, audiologistas e otorrinolaringologistas festejavam a chegada da tecnologia digital aos aparelhos auditivos. No já distante ano de 2007, vislumbrou-se que o “aparelho auditivo do futuro”  teria vários canais independentes de frequência, microfones direcionais, filtros abafadores de ruído, conexão à internet… E o futuro chegou com essas e outras possibilidades!

Apesar dos benefícios acima descritos, os usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares continuam vivenciando uma enorme dificuldade: compreender a fala em ambientes com ruído, num mundo cada vez mais barulhento.

Os autores do editorial deste mês da revista The Hearing Journal entendem que poderemos finalmente vencer essa dificuldade, inaugurando uma nova década de avanços para a tecnologia auditiva. Essa expectativa baseia-se nos mais recentes achados em pelo menos 3 linhas de pesquisas: A interação cognitiva, o “beamformer” binaural e o direcionamento visual do foco auditivo.

 

Tecnologia Auditiva Cognitiva

Os aparelhos auditivos com tecnologia digital já são capazes de abafar ou reduzir o ruído ambiente. Entretanto, num ambiente em que hajam várias pessoas falando, pouco pode ser feito atualmente para ajudar o usuário a ouvir exatamente a voz que ele deseja.

Uma das soluções para isso pode ser o uso de aparelhos auditivos controlados cognitivamente através da decodificação da atenção auditiva (em inglês, auditory attention deconding – AAD)

Num artigo de agosto deste ano na Journal of Neural Engeneering os pesquisadores foram capazes de usar sinais captados da atividade cerebral dos ouvintes para separar a voz desejada das demais. Seguindo esse modelo, os aparelhos auditivos do futuro – munidos de sensores cerebrais – serão capazes de distinguir exatamente a voz na qual o usuário está tentando se concentrar,  aplicando a amplificação apenas a ela e descartando as demais.

Segundo a pesquisadora Nima Mesgarani, várias empresas já demonstraram interesse nessa abordagem. Entretanto ela adverte dos desafios que ainda estão pela frente: “Nós precisamos de uma maneira robusta e pouco invasiva de medir os sinais neurais, de algoritmos poderosos o suficiente para analisar os sons do ambiente dependendo da tarefa que ele está envolvido, além de conseguir colocar todas essa capacidade de processamento no dispositivo pequeno.”

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Tecnologia de Beamformimg Binaural

Beamforming (ou filtragem espacial) é uma técnica de processamento para transmissão ou recepção direcional de sinais. Como exemplo, ela já utilizada em alguns roteadores Wi-Fi (figura). A conjugação entre as antenas permite levar o sinal de internet mais longe em direção a um dispositivo específico.

No caso dos aparelhos auditivos, a filtragem espacial (ou beamforming) pode fazer uso dos vários microfones nos dois aparelhos auditivos, um de cada lado, de maneira ainda mais efetiva. Pelo menos uma empresa de aparelhos auditivos (Phonak) e de implantes cocleares (Advanced Bionics) já fazem uso dessa técnica para aplicação de captação direcionada de som.

A novidade está na possibilidade observada num estudo do  pesquisador Jorge Mejia, do HEARing Cooperative Center, em Melbourne. No artigo sobre aparelhos auditivos controlados pela mente os autores utilizaram um eletrodo originalmente desenvolvido para a indústria de jogos eletrônicos. Com isso, eles foram capazes de captar a atividade cerebral para medir o esforço auditivo em diferentes simulações.

É bem provável que o aparelho auditivo do futuro será capaz de reconhecer o nível de esforço que seu usuário está fazendo para tentar entender a fala. Com essa informação, ele poderá usar a filtragem espacial altamente direcionada quando for o caso. Contrariamente, caso os sensores cerebrais demostrem pouco esforço auditivo, os microfones permaneceriam captando os sons de todas as direções.

 

Aparelhos Guiados pela Visão

A terceira linha de pesquisa parte de um estudo publicado em julho deste ano. Nele, os pesquisadores associaram a filtragem espacial (beamforming) descrita anteriormente a um mecanismo para rastrear o olhar do usuário dos aparelhos.

Segundo essa técnica, 16 microfones (8 de cada um dos aparelhos, lado a lado) formariam um campo altamente direcionado para captação do som. Tendo a informação da direção em que o usuário do aparelhos está olhando, os aparelhos do futuro serão capazes de realizar um “foco auditivo” amparados por uma mira visual.

 

Quarto Desafio: O Preço

Tecnologia de ponta quase sempre significa dólares, muitos dólares… Num país onde boa parte das pessoas não tem acesso às necessidades básicas de saúde, o avanço da tecnologia nos dispositivos médicos eleva enormemente o custo de todo o sistema. Assim, é importante que os governos guiem os centros de pesquisa também para o barateamento das tecnologias já consagradas, sem diminuir a busca por novas soluções. Esse investimento pode levar aparelhos auditivos para um grande número de pessoas que precisam, mas não têm como pagar os altíssimos preços atualmente praticados.

 

Fonte: Portal Otorrino 

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Disfunção da Trompa de Eustáquio: O que é e como tratar?

Em 1562, o médico e anatomista Bartolomeu Eustachi descreveu o que chamou de De auditus organis, ou como é conhecido hoje, Trompa de Eustáquio. O também médico e anatomista italiano Antonio Maria Valsalva, no século 18, focou seu estudo na comunicação entre a orelha média e a nasofaringe, continuando as explicações do colega anterior.

A Trompa de Eustáquio ou Tuba Auditiva (TA) liga o ouvido médio à nasofaringe e é composta por uma parte cartilaginosa, próxima à nasofaringe e muito variável anatomicamente, e uma óssea, próxima à orelha média. Em corte axial, sua porção mais anterior é paralela à artéria carótida interna e na transição entre a parte óssea da cartilaginosa, seu lúmen é mais estreito.

Em 2015, o UK NIHR Health Technology Assessment – HTA Programme reuniu especialistas europeus e americanos, que concordaram que a tuba auditiva é responsável, basicamente, por:

  • Ventilação e equalização da pressão entre a nasofaringe e orelha média;
  • Clearance mucociliar de secreções da orelha média;
  • Proteção da orelha média de ruídos, patógenos e secreções da nasofaringe.
  • A pressão na orelha média é mantida através da troca de gás da orelha média e a abertura da TA para equilibrar a pressão entre as duas estruturas.

A disfunção da TA é uma condição bastante comum no consultório Otorrinolaringológico e, embora os dados epidemiológicos sejam incertos, o impacto desta condição clínica pode ser substancial. Como sintomas, os pacientes queixam-se de plenitude aural, sensação de “entupimento” do ouvido, como se estivesse descendo a serra ou embaixo d’água. Zumbido, a inabilidade de “compensar” a pressão no ouvido médio e autofonia podem acontecer.

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Os especialistas chegaram, ainda, à conclusão de que existem três subtipos de disfunção de TA e que seus sintomas podem ser agudos, quando duram menos de três meses, ou crônicos, quando ultrapassam este período. São eles:

  • Disfunção dilatadora (explicada por obstrução funcional, disfunção dinâmica – fala muscular, obstrução anatômica);
  • Disfunção induzida por barotraumas;
  • Disfunção por TA patente.

A primeira situação é geralmente precedida por Infecção de Vias Aéreas Superiores (IVAS) ou crise de Rinite Alérgica. Quando existem mudanças pressóricas no ambiente, como no mergulho com profundidade, o barotrauma pode acontecer. Pacientes que, recentemente, perderam muito peso (ex.: pós-bariátrica) ou alteração craniofacial como fenda palatina, podem apresentar autofonia ou plenitude auricular pela TA ficar patente.

Foi consenso que para o diagnóstico de Disfunção da Tuba Auditiva (DTA), o relato do paciente com os sintomas descritos deve estar acompanhado de sinais otoscópicos de retração timpânica e/ou audiométricos de pressão negativa da orelha média. Testes para avaliação da função ventilatória da TA foram desenvolvidos, mas, hoje em dia, sua acurácia e validade ainda são incertos. Entretanto, podem ser instrumentos úteis, quando disponíveis. O único questionário em processo de validação para avaliação da disfunção é o Questionário de Disfunção de Tuba Auditiva com 7 itens (ETDQ-7), que avaliou 50 pacientes com diagnóstico de disfunção por Timpanometria e/ou achados otoscópicos e clínicos e 25 controles, que não apresentavam os critérios de inclusão.  A confiança do teste-reteste apresentou boa correlação entre o questionário respondido pelo mesmo paciente com um mês de diferença. Além disso, o ETDQ-7 foi capaz de distinguir os pacientes com DTA dos que não apresentavam tal diagnóstico.

A fisiopatologia de origem da DTA e da otite média tem origem, geralmente, a partir de infecções virais, hipertrofia adenoideana e até predisposição genética. O distúrbio persistente da TA pode apresentar-se como otite média, crônica e serosa.

Nos anos 90, a ideia de cateterização da tuba com um fio de metal foi aplicada com resultados satisfatórios inicialmente. Entretanto, estudos retrospectivos de uma amostra grande de pacientes demonstraram que, após 18 meses, mais de 80% dos pacientes mantinham a disfunção. Os tubos foram então retirados dos pacientes.

Atualmente, a dilatação da tuba auditiva com uso de balão, têm se mostrado uma opção terapêutica interessante e com resultados bons a longo prazo. A satisfação subjetiva dos pacientes foi em torno de 80% em estudos de cinco anos de seguimento.

Entretanto, metanálises revelaram que os resultados e prognósticos ainda não podem ser previstos com este tipo de procedimento. Talvez pela falta do paciente que se beneficiará com a dilatação. Uso de laser também foi testado na tuba auditiva, mas sem evidência clínica significativa.

Tratamentos com evidência para tratamento da otite média incluem o uso de antimicrobianos, adenoidectomia, colocação de tubos de ventilação, dentre outros.

Para o tratamento da ventilação da tuba e otite média, diversos procedimentos terapêuticos estão disponíveis. Entretanto, a evidência atual é de que não há uma única ou a melhor opção terapêutica, em detrimento da outra. Mais estudos são necessários para estabelecer melhores recomendações.

Fonte: PebMed

 

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Os diversos problemas de saúde relacionados a noites mal dormidas

O corpo humano emprega há milhares de anos um conjunto fixo de programações fisiológicas necessárias para o seu bom funcionamento. Uma das programações básicas é o adormecer quando a noite cai e o acordar quando o sol se levanta, período em que o indivíduo é restaurado para um novo dia.

Noites mal dormidas, contudo, causam um choque nessa programação natural e podem provocar uma série de problemas de saúde, que vão da depressão ao aumento de risco de acidente vascular cerebral (AVC).

“O sono é uma função fundamental para a nossa fisiologia – seria o equivalente ao alimento para o nosso cérebro”, explica Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que estuda a correlação entre distúrbios do sono e doenças cardiovasculares.

“É o momento de descanso para o sistema vascular, da faxina dos neurônios. O sono é a restauração da atividade neural adequada, importante para fixação da memória. Sabemos que dormir é fundamental. Mas estamos nos esquecendo disso”, alerta.

Dados do último Estudo Epidemiológico do Sono da Cidade de São Paulo mostram que um terço da população da capital paulista sofre de insônia. Um novo estudo – Episono -, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Instituto do Sono, será conduzido em 2018 para atualizar os dados.

Mulher no celular

Um dos fatores externos que atrapalham a qualidade do sono é o uso de celular antes de dormir (GETTY IMAGES)

De acordo com Gabriel Natan Pires, biomédico e coordenador do Projeto Episono, o padrão do sono vem se modificando ao longo das últimas décadas – e para pior.

“Dados americanos mostram que, ao cabo de seis décadas, o tempo médio de sono foi reduzido em duas horas por noite. Mas privação do sono pode gerar sérios problemas, incluindo deficit de atenção, ansiedade, impulsividade e agressividade”, explica.

 

Os vilões que atrapalham o sono

Dormir menos que o necessário, assim como dormir em horários irregulares ou trocar o dia pela noite, pode desencadear uma série de doenças. A recomendação mais recente da National Sleep Foundation (NSF), dos Estados Unidos, divulgada em 2015, é de sete a nove horas de sono para pessoas de 18 a 64 anos.

De acordo com Lorenzi Filho, noites mal dormidas e irregulares não apenas geram mais cansaço e sonolência no dia seguinte. “Quem dorme menos de cinco horas, em média, tem mais problemas de hipertensão, maior risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC)”, diz a fundação.

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A falta de uma rotina, com hora de dormir e de acordar todos os dias, inclusive aos finais de semana, é um dos principais vilões de noites bem dormidas. A ingestão de alimentos pesados poucas horas antes de dormir, assim como a de bebidas estimulantes, como o café, podem dificultar o adormecer e impactar a qualidade do sono durante a noite.

“A alimentação tanto proteica quanto cheia de carboidratos não é desejável porque demanda um processo digestivo longo e penoso. O recomendado é que qualquer um dos grupos seja consumido pelo menos duas horas antes de dormir. Idealmente, quatro horas antes, se possível”, diz Daniel de Souza e Silva, pesquisador em neurofisiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

“Em alguns casos, é recomendado não ingerir café depois das 14h.”

Tabela

 

Hábitos como manter televisores no quarto, checar o celular antes de dormir e até mesmo manter o ar-condicionado em temperaturas muito baixas podem prejudicar a qualidade do sono, diz Souza e Silva.

“É preciso convencer a população de que a cama foi feita para dormir. Existe uma associação entre esses hábitos e a dificuldade de adormecer”, afirma.

 

Distúrbios do sono

Noites mal dormidas também podem ser afetadas por diferentes distúrbios. Entre as principais patologias, está a apneia obstrutiva do sono. Sua manifestação mais marcante é o ronco.

Esse distúrbio gera pequenas paradas respiratórias durante a noite, que provocam situações de “microacordar” e resultam em um sono fragmentado. De acordo com Pires, podem ocorrer até 30 pequenas paradas respiratórias por hora em pessoas que sofrem do problema.

Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Sono, feita com base em um estudo da Unifesp e do Instituto do Sono de 2010, projetou que 32,8% da população brasileira sofria com a síndrome em 2013. O distúrbio piora com a obesidade, a idade avançada e o sedentarismo.

Ilustração sobre sono

 

“A apneia obstrutiva do sono tem influência sobre os sistemas cardiovascular, neurológico e imunológico e acaba repercutindo não só na qualidade de vida, mas na longevidade do indivíduo”, afirma Souza e Silva.

“Os indivíduos com essa patologia têm repercussões cardiológicas muito sérias, além de perda de performance no dia seguinte, como dificuldade de concentração, alteração de memória, cansaço e dor de cabeça.”

Outro distúrbio importante é a insônia. Pessoas que tentam, mas não conseguem dormir, podem desenvolver quadros depressivos, problemas de memória e fadiga crônica.

De acordo com Pires, do Projeto Episono, há três padrões de insônia: aquele em que o indivíduo tem dificuldade em iniciar o sono; aquele em que há problemas em manter o sono, quando a pessoa acorda no meio da noite e tem dificuldade para voltar a dormir; e a insônia do despertar precoce – quando a pessoa acorda muito cedo e não consegue pegar no sono novamente.

Porém, dificuldades pontuais para dormir não são classificadas como insônia, explica o biomédico. “Para que haja diagnóstico clínico desse distúrbio, ele precisa ocorrer pelo menos três vezes por semana, ao menos por três meses seguidos. Dificuldades para dormir por uma noite não configuram um quadro clínico de insônia”, afirma.

 

Tratamento e soluções

Distúrbios do sono têm cura, afirmam especialistas. No caso da insônia, Souza e Silva alerta para a importância de diagnosticar se ela é causada por questões neurológicas ou por fatores externos. Medicações, como os antidepressivos, podem alterar a arquitetura do sono e resultar em noites mal dormidas.

Predio com luz acesa

Cuidar do sono é uma questão de saúde pública, segundo especialista em distúrbios do sono (GETTY IMAGES)

“A dificuldade para dormir está relacionada a diversos fatores – dificilmente a pessoa tem uma insônia primária, que seja a doença em si. Às vezes a pessoa dorme mal por fatores externos, como um problema respiratório”, explica.

No caso dos que sofrem de apneia, os médicos recomendam evitar bebidas alcoólicas e sedativos, que relaxam a musculatura. Em alguns casos, é necessário utilizar próteses orais e, nos pacientes com um quadro mais grave, adotar uma máscara ligada a um compressor de ar – a CPAP, do inglês Continuous Positive Airway Pressure -, que previne a obstrução da garganta durante o sono.

Para os que não sofrem de distúrbios, é importante levar em consideração as horas recomendadas para cada faixa etária e buscar garantir uma noite tranquila de sono. Isso inclui evitar estímulos externos, como dispositivos eletrônicos antes da hora de dormir e seguir a rotina de acordar e se levantar no mesmo horário.

Souza e Filho lembra que, apesar de a rotina humana hoje ser pautada pela tecnologia, o corpo humano continua tendo uma estrutura fisiológica que segue processos estabelecidos há milhares de anos.

“Desde que surgiu a eletricidade, nossa programação natural foi sendo amplamente subvertida. Progressivamente, vem havendo uma redução expressiva nas horas de sono regular, o que desequilibra um sistema que estava em estabilidade havia muito tempo.”

Para ele, cuidar do sono é uma questão de saúde pública. “Em qualquer cidade grande você vê as pessoas dormindo no transporte público. É um indicador de forte privação do sono em grande parte da população,” afirma. “Cuidar dos distúrbios do sono e de comportamentos que alteram sua qualidade é reduzir gastos mais tarde com diversos cuidados de saúde.”

 

Fonte: BBC Saúde

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Aspiração de corpo estranho é a 3ª maior causa de acidentes fatais com crianças no Brasil

Existe uma enorme variedade de corpos estranhos que podem ser aspirados por crianças. Alimentos como amendoim, feijão e milho, bem como balões de látex e tampas de caneta estão entre os responsáveis pela maioria dos casos de sufocamento causadores de morte por conta da aspiração. A faixa etária mais acometida é entre um e três anos e o sexo masculino o mais prevalente.

O problema ocorre quando há a entrada de objetos dentro do trato respiratório, sendo esta uma causa comum de emergência respiratória em crianças. O reconhecimento e tratamento imediatos são necessários para minimizar as consequências sérias e potencialmente fatais, além de reduzir possíveis complicações e gastos hospitalares relativos a internações.

“Por possuírem vias aéreas menores e uma menor reserva respiratória, as crianças têm maior predisposição a uma rápida e significativa obstrução, com possibilidade de progressão veloz para insuficiência respiratória e parada cardíaca”, explica a otorrinolaringologista Dra. Melissa Avelino.

Segundo a médica, diversos fatores estão envolvidos na ocorrência do problema, entre comportamentais, anatômicos e fisiológicos. “Crianças entre um e três anos estão na fase oral do desenvolvimento psicossexual, apresentando um comportamento exploratório, com a colocação de objetos na boca e no nariz; a dentição incompleta e a presença de vias aéreas mais estreitas também influenciam; bem como, em alguns casos, uma falha no mecanismo de fechamento da laringe, ou o controle inadequado da deglutição e da mastigação; todos esses fatores podem facilitar a aspiração de um corpo estranho” detalha Dra. Melissa.

Membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), a especialista revela que a maioria dos acidentes dessa natureza ocorre em ambiente doméstico, local onde se encontram inúmeros objetos e situações de risco. “Nem mesmo a presença de um adulto no local é capaz de impedir que os acidentes ocorram, assim, prevenir é fundamental. O risco depende principalmente da facilidade de acesso da criança aos diversos objetos e alimentos que podem ser aspirados, ou seja, é indispensável que pais e cuidadores estejam cientes dos fatores de risco que predispõe a aspiração de corpo estranho, a identificação da aspiração e as noções básicas de desobstrução de via aérea alta”, conclui Dra. Melissa Avelino.

 

Fonte: São Paulo Times

 

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Como prevenir otite, rinite e sinusite nesse verão?

As férias estão aí e muita gente aproveita para viajar, visitar amigos e curtir os dias de céu aberto e tempo agradável. Nada melhor, certo? Exceto quando aquela dor de garganta ou de ouvido atrapalha o recesso tão aguardado. Como prevenir as famosas otites, rinites e sinusites durante o verão?

A assistente social Rute Alves de Souza, de 48 anos, sabe bem o que é isso. Ela coleciona algumas histórias de visitas ao pediatra com o filho, Lucas, durante a infância, por causa desses passeios. “Ele teve infecções de ouvido por causa da água. Reclamava muito da dor e tinha dificuldade para dormir. Tinha sempre que levar ao médico e comprar antibiótico”, lembra.

Segundo o otorrinolaringologista Caio Athayde, do Centro de Otorrinolaringologia (Ceol), esse é um dos principais motivos das queixas que recebe em seu consultório nesta época do ano. “As crises de otite aguda, sem dúvida, são as campeãs”, diz. Mas ele explica que, nem sempre, a culpa é apenas da água. “Se você tiver um acúmulo de cera no ouvido, por exemplo, a água fica retida lá dentro”, acrescenta.

Ele também lembra que o clima quente é muito propício a crises de rinite e sinusite. Além disso, a variação de ambiente, ou simplesmente de temperatura, são suficientes para desencadear uma inflamação. “Pacientes assim devem ter um cuidado redobrado, pois o nariz reage muito mais intensamente a pequenos estímulos”, diz.

O médico dá algumas sugestões de prevenção para pais, pessoas alérgicas ou que têm problemas crônicos de rinite e sinusite:

1) Em dias de piscina ou praia, procure fazer intervalos fora da água. Quanto maior a permeabilidade da pele, mais os ouvidos ficam suscetíveis a infecções causadas pelas próprias bactérias do corpo.

2) Use toalhas molhadas ou bacias com água para diminuir o ar seco durante a estiagem. Isso também vale para quem usa ar condicionado. A falta de umidade resseca as vias aéreas superiores e aumenta as chances de infecções respiratórias.

3) Evite os choques térmicos. Nada de chegar ao hotel e colocar o ar condicionado no mínimo. Segundo estudo realizado pela USP, os choques térmicos são os principais responsáveis por crises alérgicas em pessoas que passam longos períodos em ambientes climatizados.

4) Mantenha os ambientes bem ventilados. Alugar casas que ficaram fechadas por muito tempo pode agravar a asma ou a rinite. O calor e a umidade fazem os ácaros se proliferarem em espaços fechados.

5) Utilize tampões de ouvido ou protetores de silicone quando nadar. É uma boa saída para pessoas que têm predisposição a infecções auriculares.

6) Consulte um otorrinolaringologista antes de viajar, pois ele pode ajudar a tratar inflamações que já começaram e podem se agravar durante as férias no primeiro contato com poeira, água, mofo ou outros agentes.

 

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Ar condicionado: como enfrentar o calor sem colocar a saúde em risco?

Mal entramos no verão e já estamos sofrendo com o calor há muito mais tempo. E para aplacar o calor intenso, dá-lhe ar condicionado – em casa, no trabalho, no carro, no ônibus (quando este último funciona, é claro).  Mas é bom ter cuidado porque esta sensação de alívio pode ser acompanhada de consequências perigosas à saúde.

De acordo com o otorrinolaringologista Marco Antônio Ferraz de Barros Baptista, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o ideal é que, para evitar choque térmico, seja mantida uma diferença de até 8°C entre a temperatura do ambiente externo e do local onde o ar condicionado está ligado.

“Porém, sabemos que em muitas regiões do país a temperatura ultrapassa os 35°C, dessa forma, é pouco provável que as pessoas aceitem manter o equipamento funcionando em 27°C. Assim, uma alternativa é nunca ficar em frente à saída de ar do aparelho, pois o ar frio paralisa os mecanismos de defesa do nariz, pode gerar dilatação e congestão nasal, resultando em predisposição a inflamações, infecções e crises de rinite e rinossinusite”, alerta o otorrinolaringologista.

Saiba como evitar o choque térmico e quais são os perigos da falta de manutenção do aparelho. Além disso, conheça os cuidados necessários com o filtro no automóvel e a importância da qualidade do ar no ambiente interno. O médico dá ainda dicas de saúde para as vias respiratórias nesta época do ano.

 

1 – Atenção ao prazo para manutenção

Segundo Marco Antônio Ferraz de Barros Baptista, o ar condicionado deve passar por uma manutenção regular, efetuada por profissional especializado, seguindo o manual do fabricante. “Quando isso não ocorre, os micro-organismos e poluentes ficam circulando no ar, aumentando a ocorrência de doenças respiratórias. A exposição prolongada das pessoas a esses ambientes pode desencadear ou agravar alergias respiratórias, como rinite e asma, além de infecções, como pneumonia e pneumonite por hipersensibilidade”, destaca o médico.

 

2 – Ar condicionado do automóvel

Os veículos também requerem cuidados especiais, principalmente nas grandes cidades, já que, devido ao volume intenso de trânsito, a maioria das pessoas fica muitas horas dentro dos carros, ou seja, mais expostas aos riscos. “O filtro do ar condicionado do automóvel também precisa ser limpo regularmente, pois, com o uso, as impurezas captadas no ambiente externo saturam o filtro e contaminam o ambiente”, explica Marco Antônio Ferraz de Barros Baptista.

O membro da ABORL-CCF ressalta mais um detalhe que aumenta a necessidade de precaução em relação ao ar em veículos. “O gás expelido pelo motor pode contaminar o ambiente interno do automóvel – fora isso, quanto maior for o número de pessoas dentro do carro, maior será a saturação da qualidade do ar. É recomendado, além da manutenção e regulagem adequada do sistema, abrir as janelas por alguns momentos, alternando o modo de ventilação periodicamente”, afirma.

 

3 – Baixa umidade do ar

O uso constante do ar condicionado causa ressecamento do ar no ambiente. Uma maneira de minimizar esse problema é utilizar recursos que ajudem a umidificar as vias respiratórias. “Aplique soro fisiológico isotônico a 0,9% ou gel nasal (soro fisiológico em gel) sempre que sentir necessidade, beba água de forma regular – um copo de hora em hora, no mínimo dois litros por dia -, e para aqueles que trabalham em locais onde há ar condicionado central e não é possível controlar a temperatura do ambiente, vale a pena ter um agasalho à mão para se proteger do frio e manter o corpo aquecido”, finaliza o especialista.

 

Fonte: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF)

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Como lidar com a Rinite Alérgica?

A rinite alérgica é um problema de origem hereditária, ou seja, transmitida geneticamente. Algumas pessoas ao herdarem dos pais certas características genéticas ficam sujeitas a desenvolverem vários tipos de alergia, como: rinite alérgica, urticária, alergia a medicamentos, dermatites de contato, eczemas etc. Essas pessoas são denominadas atópicas.

A intensidade da reação alérgica é variável de pessoa para pessoa e isso se deve ao grau de herança genética que ela herdou.

Os elementos do meio ambiente que desencadeiam a crise alérgica são denominados  alergênicos.

Ao entrar em contato com os alergênicos, o organismo reconhece-o como agente agressor e desenvolve uma reação antígeno-anticorpo, sendo liberadas nos tecidos, substâncias responsáveis pelos sintomas da alergia. Entre estas substâncias está, principalmente, a HISTAMINA, que provoca uma reação inflamatória muito forte, levando a prurido (coceira), hiperemia (vermelhidão), edema (inchaço), espirros e coriza. Portanto, é fundamental que as pessoas alérgicas evitem contato com os elementos que, para elas, são desencadeantes de crise alérgica.

Normalmente no tratamento são utilizados medicamentos anti-histamínicos que bloqueiam a ação da histamina, e consequentemente, os sintomas da crise alérgica. Eventualmente, poderá ser realizado tratamento com vacinas, onde a finalidade é fazer com que o organismo passe a não reconhecer os alergênicos como agentes agressores. Evidentemente que modificar uma resposta imunológica não é fácil, o que torna muitas vezes esses tratamentos ineficazes.

No Brasil, os alergênicos mais frequentes são os Dermatofagóides (carrapatinhos microscópicos), existentes em todos os ambientes. Em residências com carpetes, as populações desses seres microscópicos são infinitamente maiores. Casas bem arejada, com maior facilidade de limpeza, e, com boa insolação apresentam uma menor população de Dermatofagóides, portanto, são melhores para os alérgicos viverem.

O fator emocional é agravante das crises alérgicas. Pacientes com maior estabilidade emocional, que praticam esportes e vivem menos estressados, com certeza desenvolverão menos crises alérgicas.

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Existem algumas situações que favorecem um menor contato com alergênicos, e, portanto, diminuem as reações alérgicas, como:

  • Limpar diariamente toda a residência, sobretudo os locais onde a pessoa passa mais horas do dia. O quarto do alérgico deve ser limpo com muito cuidado; deve ser de fácil limpeza, não possuir muitos objetos onde possa haver acúmulo de pó. Deve sempre ser passado pano úmido, pois diminui a população de Dermatofagóides.
  • Em limpezas onde haverá contato com muito pó, a pessoa deverá amarrar um pano úmido na face ou usar máscara.
  • Evitar entrar em locais fechados há muito tempo ou onde a higiene é precária.
  • Evitar usar cobertores com pelos (mesmos os ditos antialérgicos) substitui-los por colchas ou edredons. Os travesseiros devem ser de espuma inteiriça de preferência usada com duas fronhas.
  • Fundamental uma vida saudável, com prática frequente de esportes, menos stress e evitar fumar.
  • Os inseticidas devem ser evitados, mesmos o elétrico, que apesar de não terem cheiro, tem o princípio ativo.
  • Todos os produtos com cheiros fortes devem ser evitados, desde que a pessoa note que o produto lhe causa irritação.
  • Procurar usar tecidos que não soltem pelos ou acumulem pó.
  • Aula de natação para o alérgico é uma atividade polêmica, pois ao mesmo tempo em que pode ser benéfica, devido à atividade física, pode ser um fator desencadeante de crise alérgica. O bom senso deve ser seguido.
  • No combate aos fungos (mofo ou bolor) pode ser usada uma solução de ácido fênico a 5%, facilmente adquirido em farmácias de manipulação, que diluído em água pode ser aplicado nos locais de proliferação desses microrganismos.

 

Fonte: Clínica Fávaro 

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A automedicação e os seus perigos!

Dor de cabeça, dor de estômago, dor nas costas. Gases, má digestão, queimação. Resfriado, coriza, febre. O pulso ainda pulsa. E a vida segue.

Todo mundo tem uma farmácia particular de remédios sem tarja (ou de plantas medicinais) para lidar com esses contratempos de saúde. Se a população fosse ao pronto-socorro ao primeiro sinal de azia, os hospitais estariam ­sobrecarregados de pacientes com sintomas leves que provavelmente serão curados sozinhos. O comprimido acelera a recuperação ou ajuda a atenuar o desconforto até o ciclo chegar ao fim.

Mas a automedicação começa a se tornar um problema sério quando vira rotina. Ou então, que ninguém nos ouça, se tiver remédio tarjado nesse balaio. Não só porque sintomas recorrentes podem indicar algo mais sério, mas porque todo medicamento tem potencial de delinquência quando corre solto nas suas veias. Hora de saber mais sobre a vida secreta das drogas autoprescritas mais populares do Brasil.

 

Tylenol

PRINCÍPIO ATIVO: Paracetamol

EFEITOS DESEJADOS: O remédio diminui o envio de mensagens aos receptores de dor e atua na regulação da temperatura do corpo, baixando a febre. Quando o paracetamol é metabolizado pelo fígado, uma pequena parte se transforma em uma substância tóxica, a NAPQI, que na maioria dos casos é rapidamente eliminada.

EFEITOS INDESEJADOS: Para adultos, a partir de 4 gramas por dia ou 1 g de uma vez só, o fígado pode não dar conta de toda a NAPQI produzida. Nesse caso, aumenta o risco de lesões irreversíveis e falência do órgão. As crianças são ainda mais vulneráveis.

Parte das overdoses de paracetamol é intencional, mas existe um grande número de pessoas que passa da medida sem perceber. Ou porque acha que a droga é 100% segura — e nenhuma é — ou por desconhecer que muitos outros remédios para dor, coriza, febre, alergia e inflamação contêm o princípio ativo.

Digamos que você tome um Tylenol para febre (750 mg de paracetamol) e um Resfenol (400 mg) para coriza, congestão nasal e outros desconfortos do resfriado. É 1,55 grama por dose, o que já traz riscos para o fígado, já que o órgão metaboliza melhor até 1 grama de cada vez.

Bom, essa dosagem quatro vezes ao dia dá 6,2 gramas, enquanto o ideal para não sobrecarregar o fígado é de 4 gramas para baixo. Se você ainda por cima mandar aquele remedinho para relaxar a musculatura depois de um dia tenso no trabalho, a conta aumenta. Um comprimido de Torsilax, o décimo medicamento mais vendido no Brasil em 2015 e o segundo em faturamento, coloca 300 mg de paracetamol a mais na sua corrente sanguínea. Se suas noites forem frequentemente banhadas a três doses de álcool, o fígado, que a essa altura estará tomando uma lavada das NAPQIs, vai pedir para sair. Tomar paracetamol para curar ressaca, então, é apagar fogo com gasolina.

Em 2011  e 2014 , o FDA alertou os médicos para que deixem de prescrever drogas que contenham mais de 325 mg de paracetamol em combinação com outras substâncias. É uma tentativa de desestimular o consumo casado, de mais de um remédio com o mesmo princípio ativo, que pode levar a uma overdose acidental.

 

 

Neosaldina

PRINCÍPIOS ATIVOS: Dipirona, mucato de isometepteno e cafeína.

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona diminui a dor e a febre, o isometepteno e a cafeína reduzem o calibre dos vasos sanguíneos do cérebro, enfraquecendo a dor.

EFEITOS INDESEJADOS: Não precisa nem exagerar no consumo para se expor a dois efeitos colaterais raros, mas potencialmente fatais da dipirona. Um é a diminuição da quantidade de células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Outro, especialmente em asmáticos, é o choque anafilático, reação alérgica grave que pode acontecer mesmo em quem está acostumado a usar a medicação. Esses riscos levaram muitos países129 a proibir a dipirona, como os EUA e a Austrália.

Outro problema com os remédios contra dor de cabeça é que eles podem diminuir a capacidade do corpo de liberar endorfinas, nossos analgésicos interiores. O uso exagerado cria resistência, quando é preciso uma dose maior para surtir efeito, e mascara outros distúrbios, que se tornam crônicos. Por exemplo, se o incômodo vem de uma sinusite mal curada, o comprimido alivia o sintoma, mas não resolve a causa. A ­inflamação na face vai ficando cada vez mais difícil de tratar. E a dor só piora.

 

Dorflex

PRINCÍPIOS ATIVOS: Dipirona, citrato de orfenadrina e cafeína.

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona e a cafeína reduzem a dor e a orfenadrina inibe os comandos de contração involuntária dos músculos, produzindo relaxamento.

EFEITOS INDESEJADOS: Além dos problemas da dipirona, a superdosagem de orfenadrina é potencialmente tóxica. A ingestão de 2 g a 3 g dessa substância pode levar à morte. Os efeitos colaterais do Dorflex vão de boca seca e alterações nos batimentos do coração até alucinações, tremor, agitação e, em doses altas, delírio e coma.

 

 

Aspirina

PRINCÍPIO ATIVO: Ácido acetilsalicílico.

EFEITOS DESEJADOS: A aspirina é três em um. Em baixas dosagens, até 1 g, funciona contra dor e estágios leves de febre. Acima dessa quantidade, inibe processos inflamatórios, principalmente as artrites.

EFEITOS INDESEJADOS: A overdose costuma acontecer de forma acidental, principalmente com idosos, que usam doses maiores do remédio, e crianças pequenas. Oito comprimidos são suficientes para aumentar o risco de excesso de acidez no sangue e baixa acentuada de glicose, causando choque cardiovascular e insuficiência respiratória — distúrbios que podem levar à morte. Por causar queda nos níveis de açúcar, qualquer dosagem de aspirina pode causar hipoglicemia em diabéticos que tomam medicamentos para controlar a doença.

A aspirina e outros anti-inflamatórios também não devem ser usados antes de procedimentos cirúrgicos, mesmo os mais simples, como arrancar um dente ou uma unha encravada. Quando existe um corte na pele, as plaquetas se juntam e formam tampões para não deixar o sangue escapar. A aspirina inibe essa agregação e deixa a porta aberta para hemorragias.

Usar o remédio junto com outro anti-inflamatório ou álcool também é mau negócio: aumenta as chances de úlcera e sangramentos estomacais e intestinais severos.

 

Neosoro

PRINCÍPIO ATIVO: Cloridrato de nafazolina.

EFEITOS DESEJADOS: Desentupidor de nariz não é tudo igual. Alguns são soluções estéreis, sem químicos nem conservantes, apenas com água e 0,9% ou 3% de sal (cloreto de sódio). Outros têm também o cloreto de benzalcônio. E os mais vendidos carregam um terceiro ingrediente na fórmula, a nafazolina, que é um remédio. A água com sal hidrata a mucosa e dissolve o muco, desgrudando a meleca para que ela saia dali. O benzalcônio é um conservante com ação germicida. E a nafazolina é um químico que contrai os vasos sanguíneos, diminuindo o inchaço das mucosas e facilitando a passagem do ar.

EFEITOS INDESEJADOS: Os sprays de água e cloreto de sódio não têm contraindicação a não ser para quem é sensível aos componentes ou para hipertensos que usam as formulações com concentração maior de sal, de 3%. O benzalcônio pode causar alergia. A nafazolina tende a induzir tolerância, efeito rebote e dependência psicológica. É que, poucas horas depois da aplicação, o edema volta e é preciso repetir a dose. Com o tempo, o corpo acostuma e pede uma quantidade maior para entregar o mesmo efeito. Aí acontece a rinite medicamentosa, causada pela droga. Você nunca sara e ainda passa a acreditar que só vai conseguir respirar com a medicação. Provavelmente, a essa altura já estará devorando nafazolina pelo nariz, o que pode aumentar a pressão sanguínea e trazer problemas para o coração.

 

 

A automedicação e a autoprescrição, de qualquer forma, alimentam uma cultura enganosa, que acredita no poder supremo dos comprimidos — uma crença ruim, já que nos faz usar remédios de forma errada e em momentos em que eles são desnecessários.

 

Fonte: Superinteressante

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