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Ronco e o risco de Acidente Vascular Cerebral: existe alguma relação?

Num pequeno artigo recém-publicado na revista Laryngoscope, pesquisadores canadenses fazem uma pergunta: Os pacientes que roncam devem fazer um exame para investigar obstrução das suas carótidas?

A pergunta é baseada na análise da literatura científica crescente em torno dos distúrbios respiratórios do sono (como o ronco) e seus riscos vasculares. Um estudo de 2014 publicado na mesma revista já tinha encontrado uma maior obstrução (causada por espessamento da camada interna das artérias carótidas) nos pacientes que roncam, mesmo naqueles que não têm a doença da apneia do sono. Esses dados se juntam a outras pesquisas com o mesmo achado.

Num outro estudo muito interessante realizado em coelhos, os autores descobriram que a vibração no nível do pescoço é capaz de desencadear uma disfunção no endotélio das artérias carótidas, sugerindo que esse pode ser o mecanismo causador da estenose desses vasos nos pacientes que roncam.

 

Obstrução das Carótidas e o Acidente Vascular Cerebral

Há muito a obstrução das carótidas é reconhecida como um fator de risco bem estabelecido para acidentes vasculares cerebrais e também está relacionada ao risco aumentado de infarto agudo do miocárdio. Mesmo na ausência de outros fatores de risco, como história familiar, hipertensão arterial ou tabagismo, a obstrução parcial das carótidas está relacionado a um risco aumentado de AVC.

LEIA TAMBÉM: QUAIS AS CAUSAS DE PERDA AUDITIVA E COMO DESCOBRI-LAS?

Unindo esses pontos, parece bastante razoável a preocupação dos autores sobre a saúde vascular dos pacientes que aparecem em nossos consultórios com queixa de ronco. A resposta a pergunta proposta no título do artigo não poderia ser outra.

Os autores concluem que os dados científicos disponíveis já são suficientes para se recomendar a investigação de obstruções carotídeas nos indivíduos que ronco importante, mesmo nos que não têm a doença da apneia do sono.

Descobrindo o Ronco e a Obstrução das Carótidas

Captura de tela do aplicativo SnoreLab

Muitas pessoas não sabem que roncam. Para os que dormem acompanhados, quase sempre o ronco pode ser percebido pela pessoa que está perto. Casos mais sérios e de ronco muito alto, não é raro que o ronco seja ouvido de outros cômodos da casa.

Me lembro de uma paciente que me contou que seu vizinho do apartamento de baixo frequentemente batia no teto do seu quarto durante a madrugada incomodado com o seu ronco!

Já para aqueles que moram ou dormem sozinhos – e roncam num volume mais baixo – nem sempre é fácil saber que estão roncando a noite. Para esses, uma dica prática é o uso de aplicativos que gravam e monitoram o ronco durante a noite. Alguns deles, como o SnoreLab (imagem) fornecem informações como tempo e gravidade do ronco.

Quanto às artérias carótidas, o exame realizado para investigar obstruções é o Doppler, uma espécie de ultrassom capaz de avaliar a espessura das paredes das artérias e o fluxo sanguíneo no seu interior. É um exame bastante solicitado por cardiologistas e neurologistas para avaliar o risco de eventos vasculares. O Doppler não usa radiação, não oferecendo nenhum risco aqueles que o realizam.

Se você ronca com frequência a noite, não deixe de relatar isso ao seu médico!

 

Fonte: Portal Otorrino

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Quais as causas de Perda Auditiva e como descobri-las?

Descobrir a origem da sua perda auditiva é uma das maiores preocupações dos pacientes que nos procuram. Faz parte da natureza humana querer explicações, especialmente para os males da saúde. Pela lógica, descobrir a origem da queixa poderia nos abrir caminho para “consertar” o que está errado, recuperando a audição.

Esse raciocínio funciona muito bem nos casos de perda auditiva condutiva, quando há algo visível para ser reparado, como o fechamento de uma perfuração do tímpano. Já nos casos de surdez neurossensorial não estamos em condições de tratar de modo curativo a quase totalidade dos casos. Nesses, o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares é quase sempre indicado. Mesmo assim, descobrir a origem de um quadro de surdez pode fazer diferença no tratamento, bem como saber se a perda pode progredir no futuro.

Recentemente, os exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética) somados à descoberta de muitas mutações genéticas causadoras de surdez, aumentaram muito nossa capacidade de descobrir a causa das perdas auditivas neurossensoriais. Ainda assim, em cerca de metade dos pacientes submetidos à cirurgia do implante coclear na atualidade, não somos capazes de descobrir a causa.

 

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Quais são as Causas Possíveis das Perdas Auditivas?

Surdez Condutiva

A perdas de audição são classificadas em tipos (conforme a localização anatômica do dano causador) e em graus (de acordo com a gravidade, ou “tamanho”, da perda). Os quadros de surdez condutiva são causados por problemas na orelha externa ou média e podem ser causados por:

  • Acúmulo de cerumen
  • Otites externas e médias
  • Otosclerose
  • Tumores
  • Perfurações da membrana timpânica
  • Erosão e malformações dos ossículos da audição

     

     

Surdez Neurossensorial

Neste tipo de perda auditiva, o acometimento do aparato auditivo situa-se na orelha interna (cóclea) ou nervo auditivo. Dentre as causas possiveis estão:

  • Surdez genética
  • Tramatismos
  • Auto-imunes
  • Infecções virais
  • Meningites
  • Displasias
  • Presbiacusia (envelhecimento)
  • Exposição ao ruído
  • Ototoxicidade
  • Síndrome de Ménière
  • Tumores

As causas acima descritas representam a quase totalidade dos quadros de surdez existentes. Entretanto, muitas vezes os exames disponíveis não nos permite identificar a origem da perda. É importante que a equipe médica e os pacientes não transformem a busca origem da surdez na sua única preocupação, já que a reabilitação auditiva – com aparelhos auditivos ou implantes cocleares – deve começar o quanto antes, afim de se evitar as diversas consequências decorrentes da surdez não tratada.

 

Fonte: portalotorrino

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Como será o aparelho auditivo no futuro?

Há cerca de 10 anos, audiologistas e otorrinolaringologistas festejavam a chegada da tecnologia digital aos aparelhos auditivos. No já distante ano de 2007, vislumbrou-se que o “aparelho auditivo do futuro”  teria vários canais independentes de frequência, microfones direcionais, filtros abafadores de ruído, conexão à internet… E o futuro chegou com essas e outras possibilidades!

Apesar dos benefícios acima descritos, os usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares continuam vivenciando uma enorme dificuldade: compreender a fala em ambientes com ruído, num mundo cada vez mais barulhento.

Os autores do editorial deste mês da revista The Hearing Journal entendem que poderemos finalmente vencer essa dificuldade, inaugurando uma nova década de avanços para a tecnologia auditiva. Essa expectativa baseia-se nos mais recentes achados em pelo menos 3 linhas de pesquisas: A interação cognitiva, o “beamformer” binaural e o direcionamento visual do foco auditivo.

 

Tecnologia Auditiva Cognitiva

Os aparelhos auditivos com tecnologia digital já são capazes de abafar ou reduzir o ruído ambiente. Entretanto, num ambiente em que hajam várias pessoas falando, pouco pode ser feito atualmente para ajudar o usuário a ouvir exatamente a voz que ele deseja.

Uma das soluções para isso pode ser o uso de aparelhos auditivos controlados cognitivamente através da decodificação da atenção auditiva (em inglês, auditory attention deconding – AAD)

Num artigo de agosto deste ano na Journal of Neural Engeneering os pesquisadores foram capazes de usar sinais captados da atividade cerebral dos ouvintes para separar a voz desejada das demais. Seguindo esse modelo, os aparelhos auditivos do futuro – munidos de sensores cerebrais – serão capazes de distinguir exatamente a voz na qual o usuário está tentando se concentrar,  aplicando a amplificação apenas a ela e descartando as demais.

Segundo a pesquisadora Nima Mesgarani, várias empresas já demonstraram interesse nessa abordagem. Entretanto ela adverte dos desafios que ainda estão pela frente: “Nós precisamos de uma maneira robusta e pouco invasiva de medir os sinais neurais, de algoritmos poderosos o suficiente para analisar os sons do ambiente dependendo da tarefa que ele está envolvido, além de conseguir colocar todas essa capacidade de processamento no dispositivo pequeno.”

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Tecnologia de Beamformimg Binaural

Beamforming (ou filtragem espacial) é uma técnica de processamento para transmissão ou recepção direcional de sinais. Como exemplo, ela já utilizada em alguns roteadores Wi-Fi (figura). A conjugação entre as antenas permite levar o sinal de internet mais longe em direção a um dispositivo específico.

No caso dos aparelhos auditivos, a filtragem espacial (ou beamforming) pode fazer uso dos vários microfones nos dois aparelhos auditivos, um de cada lado, de maneira ainda mais efetiva. Pelo menos uma empresa de aparelhos auditivos (Phonak) e de implantes cocleares (Advanced Bionics) já fazem uso dessa técnica para aplicação de captação direcionada de som.

A novidade está na possibilidade observada num estudo do  pesquisador Jorge Mejia, do HEARing Cooperative Center, em Melbourne. No artigo sobre aparelhos auditivos controlados pela mente os autores utilizaram um eletrodo originalmente desenvolvido para a indústria de jogos eletrônicos. Com isso, eles foram capazes de captar a atividade cerebral para medir o esforço auditivo em diferentes simulações.

É bem provável que o aparelho auditivo do futuro será capaz de reconhecer o nível de esforço que seu usuário está fazendo para tentar entender a fala. Com essa informação, ele poderá usar a filtragem espacial altamente direcionada quando for o caso. Contrariamente, caso os sensores cerebrais demostrem pouco esforço auditivo, os microfones permaneceriam captando os sons de todas as direções.

 

Aparelhos Guiados pela Visão

A terceira linha de pesquisa parte de um estudo publicado em julho deste ano. Nele, os pesquisadores associaram a filtragem espacial (beamforming) descrita anteriormente a um mecanismo para rastrear o olhar do usuário dos aparelhos.

Segundo essa técnica, 16 microfones (8 de cada um dos aparelhos, lado a lado) formariam um campo altamente direcionado para captação do som. Tendo a informação da direção em que o usuário do aparelhos está olhando, os aparelhos do futuro serão capazes de realizar um “foco auditivo” amparados por uma mira visual.

 

Quarto Desafio: O Preço

Tecnologia de ponta quase sempre significa dólares, muitos dólares… Num país onde boa parte das pessoas não tem acesso às necessidades básicas de saúde, o avanço da tecnologia nos dispositivos médicos eleva enormemente o custo de todo o sistema. Assim, é importante que os governos guiem os centros de pesquisa também para o barateamento das tecnologias já consagradas, sem diminuir a busca por novas soluções. Esse investimento pode levar aparelhos auditivos para um grande número de pessoas que precisam, mas não têm como pagar os altíssimos preços atualmente praticados.

 

Fonte: Portal Otorrino 

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Disfunção da Trompa de Eustáquio: O que é e como tratar?

Em 1562, o médico e anatomista Bartolomeu Eustachi descreveu o que chamou de De auditus organis, ou como é conhecido hoje, Trompa de Eustáquio. O também médico e anatomista italiano Antonio Maria Valsalva, no século 18, focou seu estudo na comunicação entre a orelha média e a nasofaringe, continuando as explicações do colega anterior.

A Trompa de Eustáquio ou Tuba Auditiva (TA) liga o ouvido médio à nasofaringe e é composta por uma parte cartilaginosa, próxima à nasofaringe e muito variável anatomicamente, e uma óssea, próxima à orelha média. Em corte axial, sua porção mais anterior é paralela à artéria carótida interna e na transição entre a parte óssea da cartilaginosa, seu lúmen é mais estreito.

Em 2015, o UK NIHR Health Technology Assessment – HTA Programme reuniu especialistas europeus e americanos, que concordaram que a tuba auditiva é responsável, basicamente, por:

  • Ventilação e equalização da pressão entre a nasofaringe e orelha média;
  • Clearance mucociliar de secreções da orelha média;
  • Proteção da orelha média de ruídos, patógenos e secreções da nasofaringe.
  • A pressão na orelha média é mantida através da troca de gás da orelha média e a abertura da TA para equilibrar a pressão entre as duas estruturas.

A disfunção da TA é uma condição bastante comum no consultório Otorrinolaringológico e, embora os dados epidemiológicos sejam incertos, o impacto desta condição clínica pode ser substancial. Como sintomas, os pacientes queixam-se de plenitude aural, sensação de “entupimento” do ouvido, como se estivesse descendo a serra ou embaixo d’água. Zumbido, a inabilidade de “compensar” a pressão no ouvido médio e autofonia podem acontecer.

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Os especialistas chegaram, ainda, à conclusão de que existem três subtipos de disfunção de TA e que seus sintomas podem ser agudos, quando duram menos de três meses, ou crônicos, quando ultrapassam este período. São eles:

  • Disfunção dilatadora (explicada por obstrução funcional, disfunção dinâmica – fala muscular, obstrução anatômica);
  • Disfunção induzida por barotraumas;
  • Disfunção por TA patente.

A primeira situação é geralmente precedida por Infecção de Vias Aéreas Superiores (IVAS) ou crise de Rinite Alérgica. Quando existem mudanças pressóricas no ambiente, como no mergulho com profundidade, o barotrauma pode acontecer. Pacientes que, recentemente, perderam muito peso (ex.: pós-bariátrica) ou alteração craniofacial como fenda palatina, podem apresentar autofonia ou plenitude auricular pela TA ficar patente.

Foi consenso que para o diagnóstico de Disfunção da Tuba Auditiva (DTA), o relato do paciente com os sintomas descritos deve estar acompanhado de sinais otoscópicos de retração timpânica e/ou audiométricos de pressão negativa da orelha média. Testes para avaliação da função ventilatória da TA foram desenvolvidos, mas, hoje em dia, sua acurácia e validade ainda são incertos. Entretanto, podem ser instrumentos úteis, quando disponíveis. O único questionário em processo de validação para avaliação da disfunção é o Questionário de Disfunção de Tuba Auditiva com 7 itens (ETDQ-7), que avaliou 50 pacientes com diagnóstico de disfunção por Timpanometria e/ou achados otoscópicos e clínicos e 25 controles, que não apresentavam os critérios de inclusão.  A confiança do teste-reteste apresentou boa correlação entre o questionário respondido pelo mesmo paciente com um mês de diferença. Além disso, o ETDQ-7 foi capaz de distinguir os pacientes com DTA dos que não apresentavam tal diagnóstico.

A fisiopatologia de origem da DTA e da otite média tem origem, geralmente, a partir de infecções virais, hipertrofia adenoideana e até predisposição genética. O distúrbio persistente da TA pode apresentar-se como otite média, crônica e serosa.

Nos anos 90, a ideia de cateterização da tuba com um fio de metal foi aplicada com resultados satisfatórios inicialmente. Entretanto, estudos retrospectivos de uma amostra grande de pacientes demonstraram que, após 18 meses, mais de 80% dos pacientes mantinham a disfunção. Os tubos foram então retirados dos pacientes.

Atualmente, a dilatação da tuba auditiva com uso de balão, têm se mostrado uma opção terapêutica interessante e com resultados bons a longo prazo. A satisfação subjetiva dos pacientes foi em torno de 80% em estudos de cinco anos de seguimento.

Entretanto, metanálises revelaram que os resultados e prognósticos ainda não podem ser previstos com este tipo de procedimento. Talvez pela falta do paciente que se beneficiará com a dilatação. Uso de laser também foi testado na tuba auditiva, mas sem evidência clínica significativa.

Tratamentos com evidência para tratamento da otite média incluem o uso de antimicrobianos, adenoidectomia, colocação de tubos de ventilação, dentre outros.

Para o tratamento da ventilação da tuba e otite média, diversos procedimentos terapêuticos estão disponíveis. Entretanto, a evidência atual é de que não há uma única ou a melhor opção terapêutica, em detrimento da outra. Mais estudos são necessários para estabelecer melhores recomendações.

Fonte: PebMed

 

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9 curiosidades sobre perda auditiva e formas de prevenção

A audição é ameaçada constantemente pela poluição sonora. O barulho do trânsito, o som alto das festas e de aparelhos como o MP3 player prejudicam muito a saúde auditiva e podem causar danos irreversíveis.

Para saber mais sobre a perda auditiva e formas de prevenção, confira nove pontos importantes listados pelo otorrinolaringologista Julio Miranda Gil, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF):

1) Os traumas auditivos ou perdas auditivas induzidas por níveis de pressão sonora elevados eram considerados doenças ocupacionais, já que costumavam surgir por conta de empregos que envolviam altos ruídos sem o uso de equipamento de proteção adequado pelo trabalhador.

O que se vê hoje em dia é que o problema também é causado pelo barulho causado pelo trânsito e por diversas atividades de lazer, como ouvir música alta e utilizar fones de ouvido, e ainda frequentar discotecas;

2) Os principais fatores envolvidos com a perda auditiva são exposição a ruídos e predisposição individual, sendo que se sabe que pessoas brancas são mais suscetíveis que as negras, principalmente as com olhos azuis;

3) Quem fala alto deve ser submetido a uma audiometria, embora, na maioria dos casos, é apenas um costume individual ou familiar, como deixar o som alto do rádio ou TV;

4) A perda auditiva pode permanecer e tende a ser maior quanto mais tempo a pessoa é exposta a ruídos.

Costuma ser neurossensorial, ou seja, acomete o nervo auditivo, é irreversível e pode ser de leve a moderada, com perda de até 40% da audição;

5) A prevenção começa a partir do conhecimento de que a perda auditiva está relacionada com o volume do barulho e o tempo de exposição.

Então, se a pessoa está em uma discoteca, onde o volume da música e dos ruídos pode chegar a 100dB (decibéis), especialmente próximo às caixas de som, deve ir a uma área externa ou mais calma por cerca de 15 minutos com o intuito de que o sistema auditivo se repare.

Isso vale também para o trânsito, que pode chegar até 105dB. Quem trabalha próximo a pontos de ônibus ou ruas movimentadas, por exemplo, deve fazer uso de abafadores de ouvido.

Aqueles que estão só de passagem podem ficar nesse ambiente por, no máximo, uma hora;

6) Perto de 5% das perdas auditivas são creditadas ao uso de MP3 ou outros aparelhos eletrônicos. A orientação é de que o volume do fone de ouvido seja ajustado em um ambiente silencioso.

Quando a pessoa vai à rua ou a algum lugar com ruído externo, o volume não deve ser aumentado. A mesma dica vale para quando se escuta música dentro do carro.

Se o som do fone de ouvido é percebido por alguém a mais de um metro de distância, é sinal de que está muito alto. Opte sempre pelos aparelhos mais modernos que possuem limitador de volume e, mesmo assim, acerte o volume para 60% do limite, no máximo;

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7) Os limites de tolerância para ruído ou barulho variam de acordo com a intensidade (volume) e o tempo de exposição. Começa a ser lesivo a partir de 85dB.

Pode-se ficar até oito horas a 85dB, quatro horas a 90dB, uma hora a 100dB, 15 minutos a 110dB e sete minutos a 115dB;

8) O diagnóstico de perda auditiva é realizado por meio de consulta médica (com exame físico específico dos ouvidos) e exame audiométrico;

9) Se o paciente tem um trauma auditivo agudo, pode-se apostar em algumas medicações para reverter o quadro. Caso seja crônico, é irreversível.

 

Fonte: gazetaweb.com

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Deficiência Auditiva: Causas, Consequências e Tratamentos

Tecnicamente, a deficiência auditiva pode ser chamada por 3 termos: Surdez, perda auditiva e disacusia. O termo deficiência auditiva (DA) é aqui usado como qualquer alteração ou redução na capacidade natural de ouvir.

A audição é um dos mais frágeis dentre os 5 sentidos humanos mais conhecidos. Devido a essa fragilidade, não é raro aparecer nos consultórios pacientes que perderam a audição num curto período de tempo subitamente. Perdas auditivas assim podem ser resultado de barulhos muito altos ou uso de medicamentos tóxicos para a audição, dentre outras causas. Essas e outras situações podem – de um dia para o outro – transformar alguém que ouve perfeitamente, num deficiente auditivo para sempre.

 

Tipos e Graus de Deficiência Auditiva

deficiência auditiva pode ser classificada em graus, de acordo com a medida dos limiares auditivos. Limiares auditivos são os sons mais baixos que cada pessoa consegue ouvir. Aqueles que têm audição normal, possuem um limiares em torno de 20-25 decibéis em todas as frequências. A medida que esses limiares vão aumentando, a audição piora.  Assim, classificamos o grau de perda segundo a tabela ao lado.

Também podemos classificar a deficiência auditiva em tipos: Condutiva, neurossensorial ou mista.

DA condutiva é causada por um problema mecânico na transmissões das ondas sonoras. Para chegar ao seu destino, as vibrações devem passar através do conduto auditivo externo, tímpano e ossículos da orelha média. O acúmulo de cerúmen e as otites são exemplos de causas de DA do tipo condutivo. A maior parte das deficiências desse tipo pode ser corrigida com algum tratamento.

DA neurossensorial acontece por lesão de estruturas neurais, principalmente as células ciliadas presentes dentro da cóclea. Elas desempenham o papel de receptores das ondas sonoras vibratórias, transformando-as em impulsos elétricos que são enviados pelo nervo auditivo ao cérebro. As perdas auditivas desse tipo podem ter várias causas (tabela abaixo) e quase sempre são irreversíveis.

As DA mistas são uma soma dos dois mecanismos anteriormente descritos.

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Fala e Linguagem

Outra classificação tem a ver com o momento do aparecimento da deficiência auditiva em relação à aquisição da fala e da linguagem. Nela, chamamos de surdez pré-lingual as DA que surgem antes da criança aprender a falar e/ou ler. De forma oposta, a DA que surge após a criança adquirir alguma habilidade linguística oral ou escrita é chamada de pós-lingual. Essa classificação é da maior importância no tratamento e na expectativa de resultado da reabilitação auditiva. Isso acontece pela falta de estímulos sonoros e de fala durante os primeiros anos, impedindo a boa formação das conexões neuronais da via auditiva e do processamento cerebral da fala.

 

Causas de Deficiência Auditiva

Embora não consigamos descobrir a origem da deficiência auditiva em todas as pessoas que buscam tratamento, enumero abaixo suas principais causas conhecidas:

Surdez Condutiva Surdez Neurossensorial
Acúmulo de cerúmen ou corpos estranhos Genética
Otites externas e médias Envelhecimento
Otosclerose Medicamentos tóxicos para o ouvido
Malformações da orelha média e externa Exposição a sons muito altos
Perfurações do tímpano Doença de Ménière
Traumatismos Malformações da orelha interna
Tumores Traumatismos
Alergias Autoimune
Tumores do sistema nervoso central

 

Consequências da Deficiência Auditiva

A consequência mais evidente das perdas de audição é a incapacidade de ouvir os sons ambientes, especialmente a fala. Entretanto, muitos outros prejuízos menos óbvios começam a se instalar na sequência da incapacidade de se engajar em conversas. A medida em que a deficiência auditiva se instala, seus desdobramentos passam a afetar a vida social, familiar, o trabalho, além da saúde mental e física.

Nesse sentido, vale destacar dois dos achados mais recentes, de consequências cognitivas das perdas auditivas, um em idosos e outro em crianças. Nos mais velhos, já está claro que a deficiência auditiva é um dos principais fatores de risco evitáveis para o desenvolvimento de demências como o Alzheimer.

Já nas crianças, inúmeros estudos vêm demonstrando que aquelas com perdas auditivas estão sujeitas a alterações nas funções executivas do cérebro, um conjunto muito importante de mecanismos cerebrais responsáveis pelo planejamento e execução de atividades.

As consequências da perda auditiva são listadas abaixo:

  • Dificuldade de comunicação
  • Vergonha, culpa, raiva
  • Isolamento social
  • Dificuldade de relacionamento
  • Dificuldades acadêmicas
  • Dificuldade familiar
  • Dificuldades no trabalho
  • Alterações do humor
  • Alterações de memória
  • Demências e Alzheimer
  • Baixa auto-estima
  • Pouca autonomia
  • Disfunção sexual

Tratamentos da Deficiência Auditiva

Não existe um tratamento único para a deficiência auditiva. A escolha do método terapêutico depende pelo menos dos seguintes fatores: idade, duração, tipo e grau de perda auditiva, causa da perda.

Um grande número de pessoas com perdas auditivas condutivas pode ser tratada de maneira curativa, através de medicamentos ou cirurgias. Como exemplo, existem as timpanoplastias usadas para corrigir perfurações no tímpano ou a estapedectomia para tratar a surdez decorrente da otosclerose. Os diferentes tipos de otites medias também podem ser bem tratadas. Nessas inflamações, o uso de medicamentos ou de tubos de ventilação pode tratar também a audição.

Já os casos de deficiências auditivas neurossensoriais quase sempre serão tratados com auxílio de dispositivos tecnológicos desenvolvidos para a reabilitação auditiva. São eles:

  • Aparelhos Auditivos
  • Implantes Cocleares
  • Implantes de orelha média
  • Próteses Auditivas Ancoradas ao Osso (surdez unilateral)

Além dos tratamentos mencionados, grande parte dos pacientes podem ter benefício das diferentes técnicas de terapia fonoaudiológica direcionadas a reabilitação e ao treinamento auditivo.

 

Fonte: Portal Otorrino

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Os diversos problemas de saúde relacionados a noites mal dormidas

O corpo humano emprega há milhares de anos um conjunto fixo de programações fisiológicas necessárias para o seu bom funcionamento. Uma das programações básicas é o adormecer quando a noite cai e o acordar quando o sol se levanta, período em que o indivíduo é restaurado para um novo dia.

Noites mal dormidas, contudo, causam um choque nessa programação natural e podem provocar uma série de problemas de saúde, que vão da depressão ao aumento de risco de acidente vascular cerebral (AVC).

“O sono é uma função fundamental para a nossa fisiologia – seria o equivalente ao alimento para o nosso cérebro”, explica Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que estuda a correlação entre distúrbios do sono e doenças cardiovasculares.

“É o momento de descanso para o sistema vascular, da faxina dos neurônios. O sono é a restauração da atividade neural adequada, importante para fixação da memória. Sabemos que dormir é fundamental. Mas estamos nos esquecendo disso”, alerta.

Dados do último Estudo Epidemiológico do Sono da Cidade de São Paulo mostram que um terço da população da capital paulista sofre de insônia. Um novo estudo – Episono -, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Instituto do Sono, será conduzido em 2018 para atualizar os dados.

Mulher no celular

Um dos fatores externos que atrapalham a qualidade do sono é o uso de celular antes de dormir (GETTY IMAGES)

De acordo com Gabriel Natan Pires, biomédico e coordenador do Projeto Episono, o padrão do sono vem se modificando ao longo das últimas décadas – e para pior.

“Dados americanos mostram que, ao cabo de seis décadas, o tempo médio de sono foi reduzido em duas horas por noite. Mas privação do sono pode gerar sérios problemas, incluindo deficit de atenção, ansiedade, impulsividade e agressividade”, explica.

 

Os vilões que atrapalham o sono

Dormir menos que o necessário, assim como dormir em horários irregulares ou trocar o dia pela noite, pode desencadear uma série de doenças. A recomendação mais recente da National Sleep Foundation (NSF), dos Estados Unidos, divulgada em 2015, é de sete a nove horas de sono para pessoas de 18 a 64 anos.

De acordo com Lorenzi Filho, noites mal dormidas e irregulares não apenas geram mais cansaço e sonolência no dia seguinte. “Quem dorme menos de cinco horas, em média, tem mais problemas de hipertensão, maior risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC)”, diz a fundação.

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A falta de uma rotina, com hora de dormir e de acordar todos os dias, inclusive aos finais de semana, é um dos principais vilões de noites bem dormidas. A ingestão de alimentos pesados poucas horas antes de dormir, assim como a de bebidas estimulantes, como o café, podem dificultar o adormecer e impactar a qualidade do sono durante a noite.

“A alimentação tanto proteica quanto cheia de carboidratos não é desejável porque demanda um processo digestivo longo e penoso. O recomendado é que qualquer um dos grupos seja consumido pelo menos duas horas antes de dormir. Idealmente, quatro horas antes, se possível”, diz Daniel de Souza e Silva, pesquisador em neurofisiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

“Em alguns casos, é recomendado não ingerir café depois das 14h.”

Tabela

 

Hábitos como manter televisores no quarto, checar o celular antes de dormir e até mesmo manter o ar-condicionado em temperaturas muito baixas podem prejudicar a qualidade do sono, diz Souza e Silva.

“É preciso convencer a população de que a cama foi feita para dormir. Existe uma associação entre esses hábitos e a dificuldade de adormecer”, afirma.

 

Distúrbios do sono

Noites mal dormidas também podem ser afetadas por diferentes distúrbios. Entre as principais patologias, está a apneia obstrutiva do sono. Sua manifestação mais marcante é o ronco.

Esse distúrbio gera pequenas paradas respiratórias durante a noite, que provocam situações de “microacordar” e resultam em um sono fragmentado. De acordo com Pires, podem ocorrer até 30 pequenas paradas respiratórias por hora em pessoas que sofrem do problema.

Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Sono, feita com base em um estudo da Unifesp e do Instituto do Sono de 2010, projetou que 32,8% da população brasileira sofria com a síndrome em 2013. O distúrbio piora com a obesidade, a idade avançada e o sedentarismo.

Ilustração sobre sono

 

“A apneia obstrutiva do sono tem influência sobre os sistemas cardiovascular, neurológico e imunológico e acaba repercutindo não só na qualidade de vida, mas na longevidade do indivíduo”, afirma Souza e Silva.

“Os indivíduos com essa patologia têm repercussões cardiológicas muito sérias, além de perda de performance no dia seguinte, como dificuldade de concentração, alteração de memória, cansaço e dor de cabeça.”

Outro distúrbio importante é a insônia. Pessoas que tentam, mas não conseguem dormir, podem desenvolver quadros depressivos, problemas de memória e fadiga crônica.

De acordo com Pires, do Projeto Episono, há três padrões de insônia: aquele em que o indivíduo tem dificuldade em iniciar o sono; aquele em que há problemas em manter o sono, quando a pessoa acorda no meio da noite e tem dificuldade para voltar a dormir; e a insônia do despertar precoce – quando a pessoa acorda muito cedo e não consegue pegar no sono novamente.

Porém, dificuldades pontuais para dormir não são classificadas como insônia, explica o biomédico. “Para que haja diagnóstico clínico desse distúrbio, ele precisa ocorrer pelo menos três vezes por semana, ao menos por três meses seguidos. Dificuldades para dormir por uma noite não configuram um quadro clínico de insônia”, afirma.

 

Tratamento e soluções

Distúrbios do sono têm cura, afirmam especialistas. No caso da insônia, Souza e Silva alerta para a importância de diagnosticar se ela é causada por questões neurológicas ou por fatores externos. Medicações, como os antidepressivos, podem alterar a arquitetura do sono e resultar em noites mal dormidas.

Predio com luz acesa

Cuidar do sono é uma questão de saúde pública, segundo especialista em distúrbios do sono (GETTY IMAGES)

“A dificuldade para dormir está relacionada a diversos fatores – dificilmente a pessoa tem uma insônia primária, que seja a doença em si. Às vezes a pessoa dorme mal por fatores externos, como um problema respiratório”, explica.

No caso dos que sofrem de apneia, os médicos recomendam evitar bebidas alcoólicas e sedativos, que relaxam a musculatura. Em alguns casos, é necessário utilizar próteses orais e, nos pacientes com um quadro mais grave, adotar uma máscara ligada a um compressor de ar – a CPAP, do inglês Continuous Positive Airway Pressure -, que previne a obstrução da garganta durante o sono.

Para os que não sofrem de distúrbios, é importante levar em consideração as horas recomendadas para cada faixa etária e buscar garantir uma noite tranquila de sono. Isso inclui evitar estímulos externos, como dispositivos eletrônicos antes da hora de dormir e seguir a rotina de acordar e se levantar no mesmo horário.

Souza e Filho lembra que, apesar de a rotina humana hoje ser pautada pela tecnologia, o corpo humano continua tendo uma estrutura fisiológica que segue processos estabelecidos há milhares de anos.

“Desde que surgiu a eletricidade, nossa programação natural foi sendo amplamente subvertida. Progressivamente, vem havendo uma redução expressiva nas horas de sono regular, o que desequilibra um sistema que estava em estabilidade havia muito tempo.”

Para ele, cuidar do sono é uma questão de saúde pública. “Em qualquer cidade grande você vê as pessoas dormindo no transporte público. É um indicador de forte privação do sono em grande parte da população,” afirma. “Cuidar dos distúrbios do sono e de comportamentos que alteram sua qualidade é reduzir gastos mais tarde com diversos cuidados de saúde.”

 

Fonte: BBC Saúde

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6 medidas para a prevenção da surdez em crianças

Um dos pilares mais importantes e conhecidos da medicina – a prevenção – não é menos importante quando se fala da mais comum das deficiências sensoriais – a perda de audição. A pouca atenção e divulgação dos mecanismos de prevenção da surdez tem raízes não só nas falhas da medicina contemporânea, ávida por tratamentos inovadores, mas também nas na natureza humana: Não costumamos dar muita atenção ao que pode acontecer. Assim, acabamos encarando os problemas a medida que eles acontecem, apagando “incêndios”, feito bombeiros…

Se por um lado essa postura curativa pode ser entendida, por outro não deve ser desejada. Sobretudo por nós, profissionais da saúde. Temos como obrigação primeira promover a saúde, antes de precisar tratá-la.

 

Organização Mundial da Saúde

Fonte: Organização Mundial da Saúde, 2016.

 

VEJA TAMBÉM: IMPLANTE COCLEAR: O GUIA COMPLETO

 

Prevenção da Surdez pela Organização Mundial de Saúde

No relatório “Surdez na Infância”, divulgado ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta estatísticas mundias de causas de surdez na infância e as divide em preveníveis e não-preveníveis.

Os dados fornecem um diagnóstico bastante completo das causas de surdez na infância, permitindo a OMS apresentar 6 importantes recomendações visando a prevenção e o tratamento da surdez.

São elas:

Fortalecer programas e organizações destinadas a:

  1. Vacinação das doenças potencialmente causadoras de surdez (rubéola, caxumba, meningites e sarampo).
  2. Cuidados durante a gestação e o parto, capazes de prevenir a prematuridade, icterícia neonatal, citomegalovirose congênita, baixo peso e hipóxia ao nascer.
  3. Grupos de suporte a famílias e pessoas com perda auditiva.

Criação de programas de triagem e de intervenção

Adoção da triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha e/ou BERA) em todos os bebês, com o devido acompanhamento que permitam:

  1. Intervenção apropriada nos bebês com perda auditiva até no máximo 6 meses de idade.
  2. Suporte a conselhamento familiar
  3. Reabilitação com aparelhos auditivos ou implantes cocleares
  4. Terapia fonoaudiológica nas suas diferentes técnicas

Criação de programas de identificação e encaminhamento e de problemas auditivos nas escolas.

Treinamento

  1. Treinar profissionais da atenção primária a saúde sobre os métodos de prevenção e identificação dos problemas auditivos
  2. Capacitar médicos otologistas e fonoaudiólogos para as melhores práticas em reabilitação auditiva

Tornar as tecnologias e tratamentos acessíveis

  1. Aparelhos auditivos e implantes cocleares são desenvolvidos e melhorados em grande velocidade, assim como seus preços. Embora a tecnologia atual seja capaz de mitigar enormemente os enormes prejuízos da surdez, uma enorme parcela da população mundial não tem acesso à elas.
  2. Crianças surdas, usuárias de aparelhos auditivos e implantes cocleares ou não, precisam de terapia fonoaudiológica apropriada, intensiva e específica para cada caso. Infelizmente número de profissionais capacitados está longe do ideal.

Regulação e Fiscalização

  1. Controle do uso indiscriminado de medicações ototóxicas
  2. Conscientização e controle sobre a exposição de sons de volume elevado, especialmente os recreativos, como shows de música e eventos esportivos

Divulgar Informações

  1. Os profissionais de saúde capacitados para lidar com as doenças do ouvido e da audição devem ser promotores de informação na sua região,  nos seus círculos profissionais e sociais, evitando a automedicação e a propagação de práticas tratamentos sem embasamento científico
  2. Médicos, fonoaudiólogos e professores devem alertar crianças e adolescentes sobre o alto risco de exposição a sons elevados, seja em atividades esportivas, shows, salas de aula, com especial atenção ao uso de fones de ouvido.
  3. Ajudar a reduzir o estigma associado à surdez e o uso de aparelhos auditivos e implante coclear

 

Fonte: Portal Otorrino

 

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Implante Coclear: O Guia Completo

O implante coclear, ou  ouvido biônico, é um aparelho eletrônico de alta complexidade tecnológica, que tem sido utilizado nos últimos anos para restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez severa a profunda que não se beneficiam do uso de próteses auditivas convencionais.

Trata-se de um equipamento eletrônico computadorizado que substitui a função do ouvido interno de pessoas que têm surdez total ou quase total. Assim, o implante estimula diretamente o nervo auditivo através de pequenos eletrodos que são colocados dentro da cóclea. Estes estímulos são levados via nervo auditivo para o cérebro. É um aparelho muito sofisticado  e é considerado uma das maiores conquistas da engenharia ligada à medicina do nosso século. Já existe há alguns anos e hoje mais de 200.000 pessoas no mundo já o estão usando e 7.000 no Brasil.

 

Quais são as partes do que compõem o implante coclear?

O implante coclear é composto por duas partes: uma unidade interna e outra externa.

 

A unidade interna

É implantada cirurgicamente dentro o ouvido do paciente. Esta unidade possui um feixe de eletrodos que será posicionado dentro da cóclea (órgão da audição com formato de caracol). Este feixe de eletrodos se conecta a um receptor (decodificador) que ficará localizado na região atrás da orelha, implantado por baixo da pele. Junto ao receptor fica a antena e o imã que servem para fixar a unidade externa e captar os sinais elétricos.

 

A unidade externa

A unidade externa é constituída por um processador de fala, uma antena transmissora e um microfone. A unidade externa é a parte do implante que fica aparente e pode ser de dois tipos: retroauricular ou tipo caixa. A antena transmissora possui um imã que serve para fixá-lo magneticamente junto a antena da unidade interna ( que também possui um imã).

O microfone capta o som do meio ambiente e o transmite ao processador de fala. O processador de fala seleciona e analisa os elementos sonoros, principalmente os elementos da fala, e os codifica em impulsos elétricos que serão transmitidos através de um a cabo até a antena transmissora. A partir da antena transmissora o sinal é transmitido através da pele por meio de radiofreqüência e chega até a unidade interna. Na unidade interna temos o receptor estimulador interno, que está sob a pele. O receptor estimulador contém um “chip” que converte os códigos em sinais eletrônicos e libera os impulsos elétricos para os eletrodos intracocleares estimulando diretamente as fibras no nervo auditivo.Esta estimulação é percebida pelo nosso cérebro como som. Desse modo, o paciente recupera parte da audição e pode voltar a se comunicar com as pessoas.

 

 

Quais são os Benefícios de um Implante Coclear?

Alguns benefícios relatados são:

– Melhora dos níveis de audição para próximos ao do ouvinte normal.
– Desenvolvimento de fala e linguagem compatíveis com a idade em crianças que nasceram com surdez e foram implantados precocemente.
– Aumento da confiança em situações sociais.
– Melhoria da comunicação com a família, amigos e professores.

 

Quem pode se beneficiar do Implante Coclear?

Pessoas que apresentam uma perda de audição do tipo sensório-neural de grau severo a profundo e/ou profundo nos dois ouvidos. Em geral, pessoas que não obtiveram resultados com aparelhos auditivos convencionais são fortes candidatos ao implante coclear.

Lembrando que uma parte importante do processo, é a reabilitação auditiva fonoaudiológica após a realização da cirurgia. Essa etapa visa maior integração do sistema auditivo com as novas informações sonoras, fundamental para o desenvolvimento auditivo e o aprendizado da linguagem.

 

PACIENTES QUE SE BENEFICIAM COM O IMPLANTE COCLEAR:

O paciente candidato ao implante coclear é aquele que possui perda auditiva severa a profunda, que fez uso de próteses auditivas, mas não se beneficiou do seu uso.
Nós dividimos os pacientes em dois grupos que apresentam indicações e resultados bastantes distintos.
Existem aqueles pacientes que ouviam e que por algum motivo perderam a audição, que nós denominamos de pacientes pós-linguais. E existem também aqueles pacientes que são surdos desde o nascimento ou perderam a audição muito cedo antes mesmo de aprenderem a falar, que nós denominamos de pacientes pré-linguais.

 

VEJA TAMBÉM: COMO LIDAR COM A RINITE ALÉRGICA?

 

CRITÉRIOS DE INDICAÇÃO BÁSICOS DO IMPLANTE COCLEAR:

Pacientes pós-linguais (adquiram a surdez depois de certa idade):

Deficiência auditiva neurosensorial bilateral de grau severo a profundo que não se beneficiarem do aparelho de amplificação sonora individual (AASI), ou seja, apresentarem escores inferiores a 50% em testes de reconhecimento de sentenças com o uso da melhor protetização bilateral possível.
Não existe limite de tempo para a realização do implante coclear neste grupo, porém quanto maior o tempo de surdez, piores serão os resultados.

 

Pacientes pré-linguais (nasceram com surdez):

Deficiência auditiva neurosensorial bilateral de grau severo a profundo, com reabilitação fonoaudiológica efetiva há pelo menos 3 meses (crianças de 0 a 18 meses) ou desde a realização do diagnóstico (crianças maiores de 18 meses), que não se beneficiarem do aparelho de amplificação sonora individual (AASI).
Neste grupo a idade do paciente é importante.
Nas crianças, a idade ideal é até 2 anos de idade, quanto mais precocemente o paciente é implantado, melhores serão os resultados.
Entre 2 e 5 anos os resultados também podem ser bons, porém são inferiores aos pacientes implantados até 2 anos.
A partir dos 5 anos os pacientes também podem ser implantados, porém os resultados dependerão de outros fatores como o grau de desenvolvimento da linguagem já adquirida e do trabalho de estimulação auditiva prévia, como uso de prótese auditiva e capacidade de realização de leitura orofacial e linguagem de sinais. Em pacientes adolescentes e adultos com surdez congênita (de nascença) o implante terá algum benefício se o paciente for oralizado, aqueles que se comunicam exclusivamente por LIBRAS têm pouco benefício e geralmente abandonam o uso do implante.

 

ETAPAS A SEREM SEGUIDAS ATÉ A REALIZAÇÃO DO IMPLANTE COCLEAR:

O implante coclear é um processo complexo que exige a atuação conjunta de um equipe multidisciplinar (vários profissionais de especialidades diferentes) para que se alcance o sucesso do tratamento.
A equipe é composta por um médico otorrinolaringologista, um fonoaudiólogo e um psicólogo (todos os membros da equipe têm que ter especialização em implante coclear).
A avaliação do paciente candidato ao implante coclear é um processo complexo e pode ser demorado pois existem etapas que devem ser obrigatoriamente seguidas e cumpridas em todos os pacientes, para que seja conseguido o melhor resultado possível em benefício do paciente.

 

Avaliação médica:

Inicialmente o paciente deve ser avaliado pelo otorrinolaringologista para o diagnóstico da causa, tipo e a gravidade da surdez.
O médico avalia se a causa que levou a surdez permite que seja realizado o implante coclear.
Também é importante que seja estudada a existência de outras doenças, pois o paciente deve ser avaliado como um todo e não apenas a audição.

 

Avaliação fonoaudiológica:

A próxima etapa é a avaliação pela fonoaudióloga, que realizará uma série de testes auditivos e de linguagem, assim como exercícios que prepararão o paciente para receber o implante coclear.
A avaliação da fonoaudióloga pode ser demorada e depende muito de cada caso e da motivação do paciente, esta avaliação é composta por:

  • Avaliação do grau de surdez: temos que ter certeza que a surdez é mesmo profunda.
  • Avaliação da adaptação do paciente com a prótese auditiva convencional: temos que ter certeza que uma prótese convencional já não seria suficiente para atender a necessidade do paciente.
  • Avaliação de linguagem emissiva (fala, uso de língua de sinais e escrita – em pacientes já alfabetizados) e receptiva (realização efetiva de leitura orofacial, uso de língua de sinais e escrita).

Quando algum destes aspectos não é satisfatoriamente atendido o paciente pode ser encaminhado para reabilitação fonoaudiológica por período determinado, e posterior retorno para avaliação. Neste período poderá ser necessário:

  • Treinamento em leitura orofacial para crianças maiores e adultos: Este treinamento é essencial na fase pré implante e muda muito o resultado final quando bem realizado.
  • Treinamento auditivo (melhorando muitas vezes o desempenho do paciente com prótese convencional, ou o resultado final com implante)
  • Terapia de estimulação de linguagem

 

Avaliação psicológica:

É muito importante que sejam avaliados os aspectos psicológicos do paciente e das pessoas que convivem com ele no dia a dia. É importante que o psicólogo avalie se o paciente está preparado para ser submetido a uma cirurgia, se aceita o fato de viver com uma prótese implantada dentro da cabeça, se os familiares estão motivados e apoiam esta decisão (nós consideramos o apoio e a participação da família fundamentais). Devemos avaliar também o grau de expectativa do paciente e se ele tem consciência dos resultados que podem ser atingidos. O paciente tem que estar ciente de tudo o que está acontecendo e a equipe deve expor tudo de uma forma clara e sincera, pois nós acreditamos que uma relação de confiança mútua entre o paciente e a equipe seja fundamental.

No final do processo pré cirúrgico o paciente é submetido a avaliação pré operatória para que seja avaliada todos os possíveis riscos cirúrgicos e a cirurgia seja realizada da forma mais segura possível.

 

PROCEDIMENTO CIRÚRGICO:

A colocação da unidade interna é realizada através de uma cirurgia que tem duração aproximada de 2 horas.
É realizado sob anestesia geral, ou seja, o paciente estará entubado e inconsciente e não sentirá nada durante todo procedimento.

1) O corte (incisão):
A cirurgia é realizada toda atrás da orelha e um pequeno corte na pele de aproximadamente 4 cm.

2) Colocação dos eletrodos:
É realizado uma abertura na cóclea (órgão da audição com formato de caracol) e os eletrodos são inseridos dentro da cóclea perfazendo uma volta completa em seu interior.

3) Fixação do processador interno:

O processador interno é colocado embaixo do couro cabeludo atrás da orelha (o paciente sentirá uma pequena elevação no local).

 

4) No final da cirurgia:
Fecha-se a pele com pontos e um curativo compressivo é colocado no local.

 

Rotina pós-operatória:

Na maioria dos casos o paciente recebe alta no dia seguinte da cirurgia.
O curativo com faixa por 72 horas e os pontos serão retirados em 2 semanas.
A ativação do implante coclear ocorre 30 a 40 dias após o procedimento.
Depois inicia-se o processo de programação e adaptação do paciente ao implante coclear com consultas com a fonoaudióloga. Essas avaliações no início serão semanais e depois quinzenais e mensais.

 

Cuidados que devem ser tomados no pós operatório:

Não lavar a cabeça por 3 dias. Após 3 dias pode lavar a cabeça mas deve-se tomar cuidado pra não deixar entrar água dentro do ouvido operado protegendo-o com um tampão até o retorno com o cirurgião.
Dormir com o ouvido operado para o lado de cima por 14 dias.
Não fazer esforço físico ou tomar sol por 30 dias.
Não deixar de tomar corretamente a medicação prescrita pelo médico e não deixar de comparecer ao retorno pós operatório.
Não existem restrições à alimentação.
Se fizer uso de prótese auditiva no outro ouvido pode colocá-la logo no primeiro dia após a cirurgia.

 

Fonte: portal otorrinolaringologia

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A automedicação e os seus perigos!

Dor de cabeça, dor de estômago, dor nas costas. Gases, má digestão, queimação. Resfriado, coriza, febre. O pulso ainda pulsa. E a vida segue.

Todo mundo tem uma farmácia particular de remédios sem tarja (ou de plantas medicinais) para lidar com esses contratempos de saúde. Se a população fosse ao pronto-socorro ao primeiro sinal de azia, os hospitais estariam ­sobrecarregados de pacientes com sintomas leves que provavelmente serão curados sozinhos. O comprimido acelera a recuperação ou ajuda a atenuar o desconforto até o ciclo chegar ao fim.

Mas a automedicação começa a se tornar um problema sério quando vira rotina. Ou então, que ninguém nos ouça, se tiver remédio tarjado nesse balaio. Não só porque sintomas recorrentes podem indicar algo mais sério, mas porque todo medicamento tem potencial de delinquência quando corre solto nas suas veias. Hora de saber mais sobre a vida secreta das drogas autoprescritas mais populares do Brasil.

 

Tylenol

PRINCÍPIO ATIVO: Paracetamol

EFEITOS DESEJADOS: O remédio diminui o envio de mensagens aos receptores de dor e atua na regulação da temperatura do corpo, baixando a febre. Quando o paracetamol é metabolizado pelo fígado, uma pequena parte se transforma em uma substância tóxica, a NAPQI, que na maioria dos casos é rapidamente eliminada.

EFEITOS INDESEJADOS: Para adultos, a partir de 4 gramas por dia ou 1 g de uma vez só, o fígado pode não dar conta de toda a NAPQI produzida. Nesse caso, aumenta o risco de lesões irreversíveis e falência do órgão. As crianças são ainda mais vulneráveis.

Parte das overdoses de paracetamol é intencional, mas existe um grande número de pessoas que passa da medida sem perceber. Ou porque acha que a droga é 100% segura — e nenhuma é — ou por desconhecer que muitos outros remédios para dor, coriza, febre, alergia e inflamação contêm o princípio ativo.

Digamos que você tome um Tylenol para febre (750 mg de paracetamol) e um Resfenol (400 mg) para coriza, congestão nasal e outros desconfortos do resfriado. É 1,55 grama por dose, o que já traz riscos para o fígado, já que o órgão metaboliza melhor até 1 grama de cada vez.

Bom, essa dosagem quatro vezes ao dia dá 6,2 gramas, enquanto o ideal para não sobrecarregar o fígado é de 4 gramas para baixo. Se você ainda por cima mandar aquele remedinho para relaxar a musculatura depois de um dia tenso no trabalho, a conta aumenta. Um comprimido de Torsilax, o décimo medicamento mais vendido no Brasil em 2015 e o segundo em faturamento, coloca 300 mg de paracetamol a mais na sua corrente sanguínea. Se suas noites forem frequentemente banhadas a três doses de álcool, o fígado, que a essa altura estará tomando uma lavada das NAPQIs, vai pedir para sair. Tomar paracetamol para curar ressaca, então, é apagar fogo com gasolina.

Em 2011  e 2014 , o FDA alertou os médicos para que deixem de prescrever drogas que contenham mais de 325 mg de paracetamol em combinação com outras substâncias. É uma tentativa de desestimular o consumo casado, de mais de um remédio com o mesmo princípio ativo, que pode levar a uma overdose acidental.

 

 

Neosaldina

PRINCÍPIOS ATIVOS: Dipirona, mucato de isometepteno e cafeína.

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona diminui a dor e a febre, o isometepteno e a cafeína reduzem o calibre dos vasos sanguíneos do cérebro, enfraquecendo a dor.

EFEITOS INDESEJADOS: Não precisa nem exagerar no consumo para se expor a dois efeitos colaterais raros, mas potencialmente fatais da dipirona. Um é a diminuição da quantidade de células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Outro, especialmente em asmáticos, é o choque anafilático, reação alérgica grave que pode acontecer mesmo em quem está acostumado a usar a medicação. Esses riscos levaram muitos países129 a proibir a dipirona, como os EUA e a Austrália.

Outro problema com os remédios contra dor de cabeça é que eles podem diminuir a capacidade do corpo de liberar endorfinas, nossos analgésicos interiores. O uso exagerado cria resistência, quando é preciso uma dose maior para surtir efeito, e mascara outros distúrbios, que se tornam crônicos. Por exemplo, se o incômodo vem de uma sinusite mal curada, o comprimido alivia o sintoma, mas não resolve a causa. A ­inflamação na face vai ficando cada vez mais difícil de tratar. E a dor só piora.

 

Dorflex

PRINCÍPIOS ATIVOS: Dipirona, citrato de orfenadrina e cafeína.

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona e a cafeína reduzem a dor e a orfenadrina inibe os comandos de contração involuntária dos músculos, produzindo relaxamento.

EFEITOS INDESEJADOS: Além dos problemas da dipirona, a superdosagem de orfenadrina é potencialmente tóxica. A ingestão de 2 g a 3 g dessa substância pode levar à morte. Os efeitos colaterais do Dorflex vão de boca seca e alterações nos batimentos do coração até alucinações, tremor, agitação e, em doses altas, delírio e coma.

 

 

Aspirina

PRINCÍPIO ATIVO: Ácido acetilsalicílico.

EFEITOS DESEJADOS: A aspirina é três em um. Em baixas dosagens, até 1 g, funciona contra dor e estágios leves de febre. Acima dessa quantidade, inibe processos inflamatórios, principalmente as artrites.

EFEITOS INDESEJADOS: A overdose costuma acontecer de forma acidental, principalmente com idosos, que usam doses maiores do remédio, e crianças pequenas. Oito comprimidos são suficientes para aumentar o risco de excesso de acidez no sangue e baixa acentuada de glicose, causando choque cardiovascular e insuficiência respiratória — distúrbios que podem levar à morte. Por causar queda nos níveis de açúcar, qualquer dosagem de aspirina pode causar hipoglicemia em diabéticos que tomam medicamentos para controlar a doença.

A aspirina e outros anti-inflamatórios também não devem ser usados antes de procedimentos cirúrgicos, mesmo os mais simples, como arrancar um dente ou uma unha encravada. Quando existe um corte na pele, as plaquetas se juntam e formam tampões para não deixar o sangue escapar. A aspirina inibe essa agregação e deixa a porta aberta para hemorragias.

Usar o remédio junto com outro anti-inflamatório ou álcool também é mau negócio: aumenta as chances de úlcera e sangramentos estomacais e intestinais severos.

 

Neosoro

PRINCÍPIO ATIVO: Cloridrato de nafazolina.

EFEITOS DESEJADOS: Desentupidor de nariz não é tudo igual. Alguns são soluções estéreis, sem químicos nem conservantes, apenas com água e 0,9% ou 3% de sal (cloreto de sódio). Outros têm também o cloreto de benzalcônio. E os mais vendidos carregam um terceiro ingrediente na fórmula, a nafazolina, que é um remédio. A água com sal hidrata a mucosa e dissolve o muco, desgrudando a meleca para que ela saia dali. O benzalcônio é um conservante com ação germicida. E a nafazolina é um químico que contrai os vasos sanguíneos, diminuindo o inchaço das mucosas e facilitando a passagem do ar.

EFEITOS INDESEJADOS: Os sprays de água e cloreto de sódio não têm contraindicação a não ser para quem é sensível aos componentes ou para hipertensos que usam as formulações com concentração maior de sal, de 3%. O benzalcônio pode causar alergia. A nafazolina tende a induzir tolerância, efeito rebote e dependência psicológica. É que, poucas horas depois da aplicação, o edema volta e é preciso repetir a dose. Com o tempo, o corpo acostuma e pede uma quantidade maior para entregar o mesmo efeito. Aí acontece a rinite medicamentosa, causada pela droga. Você nunca sara e ainda passa a acreditar que só vai conseguir respirar com a medicação. Provavelmente, a essa altura já estará devorando nafazolina pelo nariz, o que pode aumentar a pressão sanguínea e trazer problemas para o coração.

 

 

A automedicação e a autoprescrição, de qualquer forma, alimentam uma cultura enganosa, que acredita no poder supremo dos comprimidos — uma crença ruim, já que nos faz usar remédios de forma errada e em momentos em que eles são desnecessários.

 

Fonte: Superinteressante

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